Inadimplência sobe 3,63% no confronto anual

O elevadíssimo índice de inadimplência que hoje se verifica retrata com precisão o ritmo lento de recuperação da atividade econômica no País neste ano

O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2018 | 07h16

Na passagem de julho para agosto o número de inadimplentes caiu 0,71%, a segunda queda mensal seguida, mas esse ligeiro recuo é insignificante, considerando que o número total de inadimplentes está em 62,9 milhões de brasileiros, ou seja, 41% da população adulta, acusando um crescimento de 3,63% em relação ao ano passado, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil. O elevadíssimo índice de inadimplência que hoje se verifica retrata com precisão o ritmo lento de recuperação da atividade econômica no País neste ano.

Chama a atenção na pesquisa o fato de que a inadimplência tem aumentado mais à medida que avança a idade do consumidor. No confronto entre agosto e julho, verifica-se que a incapacidade de honrar compromissos aumentou 9,56% na faixa etária de 65 a 84 anos. Já entre aqueles com 50 a 64 anos de idade, a alta foi de 6,26%; e entre 40 e 49 anos, de 4,77%.

A elevação da inadimplência no grupo entre 30 e 39 anos – o maior contingente, abrangendo 17,9 milhões de pessoas – foi bastante menor (1,69%). A grande surpresa, contudo, vem dos mais jovens. Contrariamente à tendência geral, a inadimplência no segmento de 18 a 24 anos de idade recuou nada menos do que 23,20%.

Naturalmente, os mais idosos, em geral aposentados, têm mais gastos com saúde e, dos proventos que recebem, são frequentemente descontadas prestações pela tomada de crédito consignado. Na faixa de meia-idade são muito numerosos os desempregados, com notórias dificuldades de conseguir novas colocações.

A situação é melhor para os mais jovens, embora sua entrada no mercado de trabalho tenha sido retardada, seja pela necessidade de mais estudo, seja pela falta de oportunidades.

O levantamento também revela que mais da metade (52%) dos compromissos financeiros não quitados pelos brasileiros foi contraída com bancos e financeiras, seguindo-se o comércio, com 18%, o setor de comunicação (14%) e empresas prestadoras de serviços (8%).

Com o estancamento do crédito, o valor total dos débitos em atraso cresceu apenas 1,11% em agosto, em comparação com idêntico mês de 2017, menos da metade da taxa anual de aumento do número absoluto de inadimplentes, o que é mais um dado a comprovar a estagnação da economia.

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