Incentivo não evita envelhecimento da frota nacional

Uma boa indicação do grau de risco está no fato de que a idade média da frota de caminhões passou de 9 anos e 5 meses em 2014 para 10 anos e 3 meses em 2016, mostrando que muitos veículos de carga com idade superior a 25 anos rodam nas estradas

O Estado de S.Paulo

20 Maio 2017 | 03h16

O forte desaquecimento do setor de veículos nos últimos quatro anos está provocando, entre outras consequências negativas, o envelhecimento da frota tanto de automóveis de passeio como de comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), publicado há dias pelo Estado. Além do desconforto provocado por unidades antigas para usuários do transporte individual, coletivo e de cargas, o envelhecimento da frota resulta em aumento dos casos de deficiência mecânica, em detrimento do trânsito nas cidades e do tráfego nas rodovias.

Em 2006, a idade média dos veículos brasileiros era de 9 anos e 2 meses, número que caiu para pouco mais de 8 anos em 2008 e persistiu em níveis inferiores aos do início da mostra até 2013. Voltaram, então, a subir, chegando à média de 9 anos e 4 meses e tendendo a subir ainda mais, “em razão da menor entrada de carros novos no mercado”, enfatizou um conselheiro do Sindipeças, Elias Mufarej. Veículos seminovos com até 5 anos de uso representavam 43% da frota em 2012 e hoje não passam dos 34%.

O envelhecimento da frota ocorre em todos os segmentos analisados: automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. Em 2016, rodavam mais de 7 milhões de veículos com mais de 16 anos de idade, grande parte dos quais sem receber manutenção adequada.

Mais do que a constatação da intensidade da recessão no segmento automotivo nos últimos anos, os números comprovam a baixa eficiência dos programas de incentivo às montadoras e aos consumidores finais de veículos. É o caso do programa Inovar Auto, que concedeu a isenção parcial de IPI para as montadoras que executam no Brasil parte da produção e utilizam um mínimo de 65% de componentes locais.

Entre as conclusões do estudo do Sindipeças está a necessidade de orientar os proprietários quanto à manutenção correta dos veículos, para que “rodem em condições seguras”.

Uma boa indicação do grau de risco está no fato de que a idade média da frota de caminhões passou de 9 anos e 5 meses em 2014 para 10 anos e 3 meses em 2016, mostrando que muitos veículos de carga com idade superior a 25 anos rodam nas estradas.

Mais conteúdo sobre:
Editorial Econômico IPI Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.