Incertezas globais afetam a Europa

Valorização do euro, tensão comercial com os Estados Unidos e falta de investimentos na ampliação da capacidade de produção podem explicar a perda de velocidade da economia europeia

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 04h00

Depois de crescer 2,8% entre o quarto trimestre de 2016 e igual período de 2017, a economia da Zona do Euro perdeu ritmo no primeiro trimestre, segundo a agência de estatísticas Eurostat, da União Europeia. Mesmo com a queda, os números ainda são invejáveis quando se leva em conta a dimensão da economia europeia, apontando para um crescimento da ordem de 2,5% comparativamente ao mesmo trimestre de 2017.

Valorização do euro, tensão comercial com os Estados Unidos e falta de investimentos na ampliação da capacidade de produção foram as razões citadas para explicar a perda de velocidade da economia europeia. Mas a esses motivos se somam outros mencionados por economistas da região, como greves de trabalhadores e o frio atípico – e até um surto de gripe decorrente das condições climáticas adversas.

Entre o quarto trimestre de 2017 e o primeiro trimestre de 2018, a Zona do Euro cresceu 0,4%, porcentual inferior ao de 0,6% observado entre o terceiro e o quarto trimestres de 2017. A França e a Itália cresceram 0,3% no período e puxaram o indicador para baixo, mas a conjuntura também não é confortável na Alemanha, que depende muito do volume das exportações e que teme tanto o protecionismo como os riscos geopolíticos.

Assim como ocorre no Brasil, o que está em dúvida na União Europeia é se a perda de ritmo da atividade é temporária ou tende a persistir ao longo de 2018. Por ora, a premissa central dos economistas da região é de que o crescimento vai persistir: eles preveem para 2018 um crescimento da ordem de 2,5% nos 19 países da Zona do Euro. É um porcentual ligeiramente maior do que o da União Europeia (ao todo, 28 países da região são pesquisados pela Eurostat), cujo crescimento é estimado em 2,4% entre os primeiros trimestres de 2017 e 2018.

O Brasil tem nos países da União Europeia grandes investidores e responsáveis por parcela expressiva do comércio exterior. Entre os maiores investidores europeus no País estão Alemanha, Reino Unido, Espanha, Itália, França e os Países Baixos. Quase 20% das exportações brasileiras do primeiro quadrimestre de 2018 se destinaram à Europa (US$ 16,7 bilhões) e o peso das importações é de 25% (US$ 13,6 bilhões). Em tempos de protecionismo americano, a economia europeia poderá se tornar ainda mais relevante para o País.

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