Incertezas no campo

A última projeção do Ministério da Agricultura (MA) a respeito do valor bruto da produção agropecuária para 2015 indica um cenário incerto. O valor total projetado (R$ 477,5 bilhões) representa aumento de apenas 1,1% em relação ao resultado de 2014 (R$ 472,5 bilhões, em valores corrigidos pela inflação) e sinaliza tendências diferentes para a pecuária e a agricultura. Segundo o MA, o valor das lavouras deverá ter uma queda de 1,4% em relação a 2014, enquanto a pecuária deve apresentar um crescimento de 5,3%.

O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2015 | 02h04

O valor bruto da produção agropecuária, apresentado mensalmente pelo MA, tem a finalidade de mostrar a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano. Ele é calculado com base no valor da produção dos 26 produtos agropecuários mais importantes do Brasil a partir dos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do País. No momento, o valor bruto da produção agropecuária de 2015 é uma estimativa preliminar, tendo em vista que tanto a produção quanto boa parte dos preços são apenas uma projeção do que pode vir a ocorrer.

Ainda que estimados, os números do MA indicam, no entanto, que os resultados do agronegócio - setor que, nos últimos anos, vem desempenhando um importante papel na economia brasileira, diante dos resultados pífios de outras áreas - deverão ser muito próximos aos dos anos anteriores. Ou seja, é um setor que mantém o crescimento, mas cada vez menor, também por força dos preços internacionais. Recentemente, o MA divulgou o fechamento do valor bruto da produção de 2014, que atingiu o montante de R$ 463,9 bilhões. O resultado representou um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior.

Em 2014, o valor bruto da produção apenas da agricultura, que vinha crescendo desde 2010, caiu 0,7% em relação ao ano anterior. Agora, projeta-se uma nova queda para 2015, de 1,4%. Em relação à soja (em grãos) - item de maior peso na composição do valor da produção das lavouras, com um porcentual de 32% -, o MA projeta aumento de 4,9% (para R$ 93,6 bilhões). Quanto à cana-de-açúcar, segundo item que mais agrega valor (14%), espera-se queda de 5,6 % (para R$ 42,4 bilhões). Mantém-se a tendência positiva em relação ao café (em grãos), com crescimento de 7,3% (para R$ 18,3 bilhões).

De acordo com o Ministério da Agricultura, atualmente não há sinais de queda nos preços previstos para os principais grãos. Com base nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de grãos em 2015 está estimada em cerca de 202 milhões de toneladas, com previsão de um crescimento de 4,2% na produção e aumento de área de 1,5%.

Já na pecuária, com exceção do leite, para o qual se projeta uma queda de 1,2%, há expectativa de crescimento para todos os outros itens (bovinos, suínos, frango e ovos). O destaque é o aumento de 10,4% estimado para o valor da produção de bovinos (para R$ 70,4 bilhões). No entanto, essa estimativa pode sofrer significativa alteração, tendo em vista as incertezas quanto ao preço da carne nos mercados nacional e internacional. No ano passado, todos os itens apresentaram resultados positivos, com um crescimento de 10,8% - carne bovina (12,9%), carne de frango (12,0%), ovos (10,4%), leite (8,0%) e carne suína (2,3%).

O que se vislumbra é um cenário ainda incerto. Por exemplo, as exportações do agronegócio de janeiro de 2015 haviam apresentado uma queda de 3,9% em relação ao ano anterior (de US$ 5,87 bilhões para US$ 5,64 bilhões). O saldo positivo do agronegócio manteve-se praticamente inalterado, tendo em vista que as importações tiveram uma queda ainda mais acentuada, de 15,1% (de US$ 1,46 bilhão para US$ 1,24 bilhão).

Ao apontarem um crescimento do valor bruto da produção de apenas 1,1%, as estimativas do MA indicam que a ajuda do campo à economia nacional em 2015 deverá ser limitada, tanto em relação à sua participação direta no Produto Interno Bruto quanto ao poder de compra do interior, bastante vinculado ao resultado econômico da agropecuária.

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