Indústria importa mais bens para elevar produção

Nos últimos três anos, a exportação foi importante para preservar o ritmo da atividade industrial numa fase de recessão e, nos últimos meses, para ajudar o setor industrial a se reerguer

O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2017 | 03h09

A recuperação da economia já provoca efeitos sobre o peso das exportações e das importações na indústria brasileira, registrando-se um pequeno avanço na participação de itens importados para a produção e uma leve diminuição da importância das exportações na atividade do setor secundário. Analistas ouvidos em reportagem publicada há alguns dias pelo Estado acreditam que essas mudanças já configuram uma tendência. Cabe indagar se esta tendência justifica apreensões ou se se trata de fenômeno previsível.

O coeficiente de exportações da indústria, que mede a importância das exportações para a produção, declinou de 19,7% em 2005 para 12,2% em 2014 e depois passou a subir até atingir 15,7% em julho de 2016, caindo para 15,6% em julho deste ano, segundo a publicação Coeficiente de Abertura Comercial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Nos últimos três anos, portanto, a exportação foi importante para preservar o ritmo da atividade industrial numa fase de recessão e, nos últimos meses, para ajudar o setor industrial a se reerguer. Já o coeficiente de penetração das importações, que mede a participação de importados no mercado interno, declinou do nível mais alto em 15 anos de 21,2% em fins de 2014 para 17,8% em julho deste ano, com tendência de leve alta.

Um especialista da CNI, Renato Fonseca, ressalta a importância do câmbio favorável para exportar, de forma a contribuir para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mundo. O câmbio forte ajuda a compensar o alto custo de produzir no Brasil, diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O Brasil tem passivo importante no comércio exterior, por causa da infraestrutura deficiente e dos altos tributos, além do excesso de burocracia nos pontos de saída e entrada de mercadorias. Mas não se deve ignorar que a indústria deveria investir mais em desenvolvimento tecnológico, engenharia de produção e marketing, para enfrentar a competição global.

Tão importante quanto exportar itens industriais e fortalecer empresas locais é importar a custo e qualidade satisfatórios, contribuindo para a atividade e a produção das companhias voltadas para o mercado interno e para preservar o acesso dos consumidores aos bens produzidos no mundo.

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