Indústria tem expectativa de melhora em 2017

Incentivadas pela recessão, as empresas cortaram custos e buscaram racionalizar os processos industriais, e assim, mesmo com um crescimento gradativo da demanda nos próximos meses, o emprego industrial deve continuar em baixa

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2017 | 05h00

Apesar de a recente Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ter apresentado queda em dezembro de 2016 pelo quarto mês consecutivo, ficando o índice em 40,7 pontos, bem abaixo do de novembro (47 pontos), a expectativa dos empresários é de melhora ao longo de 2017.

Pela metodologia da pesquisa, um índice abaixo de 50 pontos indica retração. No último mês de 2015, o resultado não passou de 35,5 pontos. Além disso, a utilização da capacidade instalada aumentou um ponto porcentual em relação ao ano anterior, fechando 2016 em 63%, a primeira elevação anual desde março de 2014.

A queda dos estoques, que terminaram o ano passado abaixo do nível planejado pelas indústrias, é outro fator que faz crer que pode haver uma ativação do setor industrial nos próximos meses.

A recomposição de estoques é previsível em razão de um certo aquecimento da demanda interna e de um impulso à exportação, aliado à maior importação de matérias-primas.

Convém notar, a propósito, que as exportações industriais brasileiras cresceram em 2016 e, salvo perturbações no mercado internacional, devem continuar em expansão em 2017.

Não se espera, contudo, que as condições de emprego possam apresentar um quadro mais favorável, ao menos no primeiro semestre de 2017. Incentivadas pela recessão, as empresas cortaram custos e buscaram racionalizar os processos industriais, e assim, mesmo com um crescimento gradativo da demanda nos próximos meses, o emprego industrial deve continuar em baixa. Em dezembro, o índice de emprego situou-se em 44,7 pontos, o menor índice desde julho. O número de empregados da indústria pode continuar diminuindo e as projeções indicam que o ritmo de demissões deve arrefecer.

A Sondagem indica que, pelo menos por enquanto, a intenção de investimentos da indústria está abaixo de 50 pontos. Em dezembro foi de 45,3 pontos, mas, apesar de tudo, acima da marca de 41,6 pontos ao fim de 2015.

Com a queda da inflação, se as taxas de juros permanecerem, como se espera, em trajetória de queda, fortalecendo a demanda, os investimentos na indústria podem elevar-se com a compra de máquinas e equipamentos tecnologicamente mais avançados.

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