Indústria volta a investir em bens de capital

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O Estado de S.Paulo

08 Abril 2017 | 03h05

O Indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) calculado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tido como termômetro do nível de investimento no País, subiu 3,4% em fevereiro em relação a janeiro. É o primeiro sinal de que a indústria começa a investir, iniciativa indispensável para a economia reagir de maneira mais firme. A expectativa é de que o aumento da compra de máquinas e equipamentos e de material de construção se mantenha.

Em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2016, o Indicador registrou queda de 1%. Mas o crescimento de janeiro para fevereiro amenizou a queda acumulada pelo indicador em 12 meses, que passou de 9% para 7,9%. Essa evolução é sinal de maior confiança por parte dos empresários.

A produção interna de bens de capital avançou 7,2% em fevereiro, enquanto a importação desses bens variou muito pouco, com crescimento de 0,1%. A recuperação da produção interna é relevante, pois a experiência mostra que a indústria de base costuma ser uma das últimas a se reativar depois de uma retração generalizada. O fato de a exportação ter crescido 15,4% no mês demonstra que essa indústria vem ganhando competitividade no mercado internacional.

A contribuição da construção civil também tem sido significativa no aumento dos investimentos. O consumo aparente de máquinas e equipamentos, incluindo materiais de construção (produção interna mais importação e menos exportação) avançou 8,9%.

O crescimento da FBCF no bimestre aferido pelo Ipea pode ser uma antecipação dos primeiros dados sobre investimentos neste ano do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2016, pelo terceiro ano consecutivo, os investimentos caíram. A queda então foi de 10,2%. A tendência parece estar sendo revertida.

Há um caminho longo ainda a percorrer, mas a impressão é de que o País começa a romper o círculo vicioso, pelo qual a indústria não investe porque não há demanda e não há demanda porque o consumidor não tem recursos ou não se dispõe a

gastar.

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