Inflação de 1,11% em junho é a maior desde 1996

Impacto da greve dos caminhoneiros ultrapassou as piores expectativas na inflação

O Estado de S.Paulo

23 Junho 2018 | 04h00

Já se previa que, como consequência da ruinosa greve os caminhoneiros, a inflação em junho viesse bem mais alta em relação aos meses anteriores, mas ela ultrapassou as piores expectativas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação mensal, saltou de 0,14% em maio para 1,11% em junho, a taxa mais elevada para o mês desde 1996, segundo divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA-15 já acumula uma alta de 2,35% em 2018 e de 3,68% nos últimos 12 meses. Essa evolução gerou dúvidas no mercado, mas o quadro está longe de ser dramático. A inflação acumulada no 1.º semestre, embora esteja acima do piso (3%), permanece abaixo do centro da meta (4,5%) para este ano. De ora em diante, não se esperam mais do que efeitos residuais da greve, estimando-se que, com o ritmo lento de atividade econômica, a inflação, salvo acontecimentos excepcionais, possa fechar em 3,88% em 2018, segundo se prevê no Relatório de Mercado (Focus) do Banco Central (BC). 

Os vilões da inflação de junho são conhecidos. Com os problemas agudos de abastecimento causados pela greve dos caminhoneiros, o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha contribuindo para a contenção dos preços, sofreu forte pressão, subindo 1,57% em junho. Com a falta de combustíveis obrigando muitos consumidores a pagar preços absurdos por gasolina, etanol ou diesel, quando encontravam esses produtos, o grupo Transportes passou de 0,35% em maio para 1,95% em junho. Como se não bastasse, entrou em vigor na mesma época a bandeira vermelha 2, que provocou um custo adicional de R$ 5 por 100 kWh consumidos.

As recentes turbulências no mercado de câmbio não tiveram influência decisiva sobre o IPCA-15, embora posam ter impactado o preço de alguns alimentos importados, como o trigo. É possível, contudo, que o comportamento do câmbio venha a pressionar mais fortemente a inflação mais adiante, levando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a elevar a taxa básica de juros, mantida em 6,5%.

Se isso serve de algum consolo, um aumento de cerca de um ponto porcentual no IPCA deve dar mais folga para fechar as contas da União em 2019, uma vez que o teto de gastos é corrigido pela inflação no período de julho a junho do ano anterior.

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