Inflação mais alta para quem ganha menos

Alta da tarifa de energia elétrica pressionou de forma mais intensa a inflação das famílias de renda mais baixa

O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 04h00

A variação dos preços continua a pesar menos no orçamento das famílias mais pobres do que no das mais ricas, mas, em outubro, a inflação teve impacto maior nas classes de renda mais baixa do que nas de renda mais alta. De acordo com o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, publicado na Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os reajustes dos preços dos alimentos e da energia elétrica nos últimos meses pesaram mais nas contas das famílias mais pobres.

Assim, diminuiu a diferença entre a inflação das famílias de renda mais baixa e a das de renda mais alta. Em janeiro deste ano, por exemplo, a inflação acumulada de 12 meses dos mais pobres era de 2,1%, 1,6 ponto porcentual menor do que a das famílias mais ricas (de 3,7%). Em outubro, a diferença tinha caído para 1 ponto (com inflação, respectivamente, de 3,9% e 4,9%).

Essa redução se deveu ao fato de que, embora tenha se acelerado para todos, a inflação de outubro foi maior para os que ganham menos (de 0,49%, ante 0,42% para os que ganham mais).

Isso porque a alta da tarifa de energia elétrica pressionou de forma mais intensa a inflação das famílias de renda mais baixa, por causa do maior peso desse item nos gastos normais dessas famílias. Pela mesma razão, embora tenha sido baixa, a inflação da alimentação no domicílio, de 0,9% em outubro, teve impacto maior nas famílias que ganham menos. Na outra ponta da classificação por renda, foi o aumento de 2,2% do preço da gasolina que pressionou a inflação em outubro.

O cenário para a inflação, independentemente da faixa de renda, continua “benigno”, na avaliação do Ipea. Apesar da aceleração observada nos últimos meses, diz a instituição, “não há focos de pressão que ponham em risco o cumprimento da meta, tanto para 2018 como para 2019”.

A alta acumulada de 12 meses até outubro, de 4,56% (pouco acima da meta de 4,50% fixada para o ano), decorreu de pressões consideradas pontuais, não havendo indicações de um processo disseminado de alta de preços. Os preços administrados, como os da gasolina e da energia elétrica, com alta acumulada de 9,9%, foram a principal fonte de pressão da inflação nos últimos meses. Já os preços livres têm tido comportamento surpreendente, contendo a inflação.

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