Inflação menor com recuo do preço ao produtor

Das 24 atividades industriais pesquisadas, 16 registram queda de preços

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2018 | 07h21

Prognosticando inflação mais baixa nos próximos meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou queda de 0,84% em outubro em relação a setembro, a primeira redução desse indicador desde julho de 2017.

O IPP, que mede a evolução dos preços na porta da fábrica, sem impostos e fretes, da indústria extrativa e da indústria de transformação, passou a acumular uma alta de 15,12% nos 12 meses findos em outubro, um ganho considerável em comparação com a taxa acumulada no mesmo período até setembro (18,17%). Neste ano a taxa até outubro é de 13,04%.

Em outubro, houve queda de 2,24% na indústria extrativa (+12,82 em setembro) e de 0,76% na indústria de transformação (+2,45 no mês anterior). Os bens de capital apresentaram diminuição de preço de 2,46%; os bens intermediários, de 0,84%; e os bens de consumo, de 0,41%.

“O que percebemos em outubro de maneira geral”, afirma Alexandre Brandão, do IBGE, “é um recuo generalizado. E se deu em atividades bastante importantes, como alimentos.” É conveniente lembrar, bem a propósito, que o grupo Alimentação e Bebidas tem o maior peso (23,12%) no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Das 24 atividades industriais pesquisadas, 16 registram queda de preços, destacando-se – além dos alimentos, que tiveram uma redução de 1,99% e impacto de -0,36 ponto porcentual – metalurgia (recuo de 3,19% e impacto de -0,27 ponto) e equipamentos de transporte (queda de 5,84% e impacto de -0,14 ponto). O IBGE observa que a valorização média de 8,4% do real em outubro ajudou a segurar os preços das commodities agrícolas e minerais cotadas em dólar ou de manufaturados ligados a contratos internacionais, como aviões.

Apresentaram as maiores altas o refino de petróleo e produtos sucroalcooleiros, com avanço de 1,57% nos preços e contribuição de 0,20 ponto porcentual, o que evitou uma queda maior do IPP em outubro. A situação poderia ter sido pior se não tivesse havido moderação nos preços dos combustíveis.

A expectativa é de que, com os preços do petróleo variando em torno de US$ 60 há algumas semanas, as pressões dos combustíveis diminuam, pelo menos no médio prazo, favorecendo novas baixas do IPP.

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