Inflação menor para famílias de renda mais baixa

Em julho, inflação da população de renda muito baixa ficou em 0,26%, enquanto para a faixa de renda mais alta alcançou 0,38%

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2018 | 04h00

Alguns dos principais fatores que pressionaram a inflação a partir do segundo trimestre persistem, mas o esgotamento daquele que afetou mais fortemente os índices de preços está trazendo benefícios mais notáveis para as famílias de baixa renda. A greve dos caminhoneiros, que paralisou o transporte de bens por rodovias no fim de maio, provocou escassez e, consequentemente, acentuada alta de preços, em especial de alimentos. Como o item alimentação tem maior peso na composição do orçamento das famílias que ganham menos, estas foram mais duramente atingidas pela interrupção do tráfego rodoviário pelos caminhoneiros. A normalização do abastecimento fez os preços dos alimentos caírem em julho, de modo que, naquele mês, a inflação da população de renda muito baixa ficou em 0,26%, enquanto para a faixa de renda mais alta a inflação alcançou 0,38%.

Esses cálculos constam do estudo sobre inflação publicado na Carta de Conjuntura do terceiro trimestre de 2018, editada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo analisa as variações de preços médios para seis faixas de renda, com base nos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.

A inflação dos alimentos no domicílio passou de 3,1% em junho para queda de 0,59% no mês passado. A redução média dos preços dos alimentos em casa foi o principal fator de alívio da inflação das famílias que ganham menos. Já na outra ponta da escala de renda, o reajuste das passagens aéreas, de mais de 44%, teve forte impacto no grupo de transportes da inflação para as famílias com rendimento mais alto. Nos 12 meses até julho, a inflação das classes de renda mais baixa ficou em 3,5%, enquanto a de renda mais alta alcançou 5,2%.

É provável que essa diferença se reduza daqui para a frente até dezembro, pois um item de grande peso no orçamento das famílias mais pobres, a energia elétrica, deverá subir 13,8% ao longo do ano. Já os orçamentos das famílias que ganham mais serão pressionados pelos aumentos da gasolina (11,0%), das mensalidades escolares (5,5%) e dos planos de saúde (6,9%).

Segundo o Ipea, outros fatores inflacionários, entre eles a desvalorização cambial, a quebra da safra mundial e a falta de chuva, que deve afetar a safra doméstica, deverão fazer o IPCA fechar o ano próximo da meta de 4,5%.

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