Intensifica-se a política de preço livre de derivados

Em poucos dias dez revisões foram feitas nos preços do diesel e da gasolina, que representam dois terços das vendas internas

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2017 | 03h03

A Petrobrás intensificou, no fim de junho, a política de preços livres de derivados de petróleo que já vinha praticando desde o ano passado. Ampliaram-se, em resumo, os graus de liberdade de fixação de preços. A estatal já dispunha dessa liberdade, com a diferença de que a partir de agora as revisões poderão ser diárias, para cima ou para baixo, até o limite de 7%, quando a diretoria da estatal terá de ser ouvida previamente. Em poucos dias dez revisões foram feitas nos preços do diesel e da gasolina, que representam dois terços das vendas internas.

A livre fixação dos preços parece óbvia, mas não foi entendida assim na história da Petrobrás. A rigor, a substituição da política de preços regulados pela política de preços de mercado contrasta com o que ocorreu em mais de meio século de vida da empresa, constituída nos anos 50 no governo do presidente Getúlio Vargas.

Em muitos momentos dessa história, os preços foram fixados politicamente. Como os derivados têm alto peso nos índices de inflação, a redução de preços propiciava alívio significativo nos índices, permitindo a governos passados fazer propaganda enganosa, ou seja, exibir índices de preços baixos, mas manipulados. Ainda pior, no governo de Dilma Rousseff, para conter a inflação, os preços dos derivados foram fixados em níveis inferiores aos do custo de importação, provocando vultosos prejuízos à Petrobrás e aos acionistas da companhia.

Um dia antes da entrada em vigor da nova política, os preços da gasolina nas refinarias foram reduzidos significativamente, em 5,9%, e do diesel, em 4,8%. Isso significa que a empresa admite, voluntariamente, reduzir o lucro unitário gerado na venda de derivados. O que não quer dizer que as perdas não possam ser compensadas com aumento das vendas.

A Petrobrás vinha sofrendo a concorrência crescente de importadores e perdendo participação no mercado de derivados. Mas a estatal sabe “calibrar seus preços”, declarou ao Estado o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis David Zylbersztajn.

A reação dos acionistas da Petrobrás foi boa e as ações preferenciais da empresa pouco oscilaram no mês.

Parece evidente a importância de a estatal ter à frente um executivo originário da área privada, Pedro Parente, para tomar decisões relevantes na sua política de vendas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.