Investidor prefere papéis federais prefixados

Redução das aquisições de títulos corrigidos pela inflação mostra aumento da confiança na política monetária

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 04h00

Em agosto, os investidores aumentaram as aplicações em papéis federais prefixados e reduziram as aquisições de títulos corrigidos pela inflação, segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal do Tesouro Nacional. É um sinal de confiança na política monetária, enquanto persistem as agruras da política fiscal.

O Tesouro colocou R$ 36 bilhões líquidos em papéis prefixados, que garantiram aos aplicadores uma renda nominal de 14,78% em 12 meses. Mais difícil foi a colocação de papéis corrigidos por índices de preços: enquanto as emissões desses títulos atingiram R$ 16,4 bilhões, os resgates foram de R$ 98,8 bilhões, com saldo negativo de R$ 82,4 bilhões. As emissões líquidas de papéis com taxas flutuantes (ou seja, corrigidos pela Selic) foram de R$ 13,2 bilhões.

Com a demanda, o peso dos prefixados atingiu 36,8% e supera a meta do Plano Anual de Financiamento da dívida, de 31% a 35%. Já os títulos corrigidos pela Selic, com 26,9% de participação, estão abaixo da meta de 30% a 34%.

Num mês com pesados vencimentos, o Tesouro evitou atender à demanda de rentabilidade dos investidores. Por isso, o estoque da dívida de R$ 2,95 trilhões em agosto ficou quase estável em relação a julho (houve redução do saldo de apenas 0,04%). Esse saldo teria caído mais de 1%, se não fosse a apropriação de juros de R$ 31,8 bilhões no mês.

O aumento do interesse dos pequenos investidores que aplicam no Tesouro Direto foi um dos aspectos positivos da administração da dívida. Nessa modalidade já existem 930 mil aplicadores, dos quais 44,9 mil chegaram a esse mercado apenas em agosto. Em 12 meses, cresceu 68,4% o número de aplicadores no Tesouro Direto. Também melhorou o perfil da dívida, com redução de 2,5 pontos porcentuais da parcela vencível em 12 meses (18% do total).

Avanços na política fiscal, como a aprovação da PEC 241, que fixa um teto para gastos, deverão permitir não apenas uma administração tranquila da dívida, como a futura redução de custos para o Tesouro.

O custo médio da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) atingiu 13,92% ao ano em agosto, alta de 0,11 ponto porcentual em relação a julho. O custo médio é menor que o de dezembro de 2015, de 15,06%, mas ainda é alto.

O grau de confiança na política econômica permitirá atenuar mais o custo da dívida, ainda que esta continue a subir como proporção do PIB

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