Investimento menor dificulta a retomada sustentável

Outubro marcou o quarto mês consecutivo de queda de investimentos, segundo o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo

O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2016 | 03h15

Outubro marcou o quarto mês consecutivo de queda de investimentos, segundo o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo. O índice mostra o grau de confiança das empresas e da existência de capital para aumentar a produção no longo prazo. Os números reforçam a crença de que a retomada econômica deverá ser lenta.

Entre setembro e outubro, segundo o Ipea, a taxa de investimento caiu 2,6%, porcentual que atingiu 13,6% na comparação com outubro de 2015. Mantida a tendência, o Ipea estima que o recuo do investimento no trimestre em curso será de 4,8% em relação ao anterior. Não é uma situação nova, o que faz supor que se trata de problema estrutural.

Depois de atingir 21,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2013, a taxa de investimento caiu sem interrupção em iguais trimestres de 2014, 2015 e 2016, quando atingiu 16,5% do PIB, segundo o IBGE.

Houve, portanto, uma queda de cinco pontos porcentuais em relação ao PIB em três anos. A queda não só é muito forte, como muito rápida. Havia a expectativa de que o governo Temer conseguiria reverter essa tendência, mas isso não vem ocorrendo.

A preços correntes, a taxa de investimento do País deverá atingir o menor valor das últimas duas décadas. Ainda pior é que o Brasil está entre os emergentes que menos investem e realizam, figurando bem atrás de outros países de dimensões continentais, como a China e a Índia.

O investimento é medido pelo consumo aparente de máquinas e equipamentos, que caiu 1,5% entre setembro e outubro, e pela construção civil, com recuo de 3,9%. A importação entra na conta e, sendo fraca, ajuda a derrubar o investimento. Outro indicador negativo é o da queda da produção doméstica de bens de capital, de 2,8% no mês.

A retomada econômica depende do consumo, das exportações e do investimento. Mas, com as limitações ao consumo decorrentes do desemprego e da perda de renda das famílias e a modesta contribuição das vendas externas, resta criar condições para atrair investimentos, especialmente para a infraestrutura.

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