Investimentos diretos mantêm vigor no Brasil

Brasil passou do 7.º para o 4.º lugar no ranking da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) dos maiores países destinatários de investimentos estrangeiros diretos no mundo

O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 04h00

Apesar de incertezas quanto à evolução de sua economia, o Brasil continua a ser um forte polo de atração para o capital externo, contrariamente à tendência global de desaceleração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para países em desenvolvimento. Relatório recém-divulgado da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) ressalta que o ingresso de IED no País registrou um crescimento de 8% em 2017 em comparação com 2016, atingindo US$ 62,7 bilhões. Com isso, o Brasil passou do 7.º para o 4.º lugar no ranking daquela instituição dos maiores países destinatários de IED no mundo.

Os novos investimentos são direcionados principalmente para participação ou controle de empresas já em operação no País. Em passado recente, os maiores investimentos provinham de multinacionais com sede nos EUA ou na Europa, para modernização ou ampliação de filiais aqui já estabelecidas. Isso mudou, como exemplifica a queda de 40% nos investimentos no País em 2017 do setor automotivo.

Como destaca o relatório, verifica-se mais recentemente um agressivo avanço na América Latina de capitais provenientes da China. De fato, nove entre cada dez das maiores aquisições por parte de empresas estrangeiras no continente, em 2017, ocorreram no Brasil, sendo que em sete as compradoras foram companhias chinesas.

Isso foi provocado por um “boom” no setor elétrico brasileiro, carreando um total de US$ 12,6 bilhões no ano passado. A maior parte desses recursos veio da estatal chinesa State Grid, que teve uma participação substancial nos leilões de linhas de transmissão de eletricidade e que adquiriu o controle da CPFL Energia.

Entre as áreas que mais despertam interesse do capital externo se sobressai a exploração de petróleo no pré-sal, cujas licitações têm atraído companhias de todo mundo. Segundo o relatório, o governo brasileiro espera arrecadar US$ 30,2 bilhões com as licitações no pré-sal e mais US$ 39,3 bilhões em royalties a serem pagos pelas companhias vencedoras ao longo dos anos.

Os técnicos da Untad não preveem que o quadro sofra grandes alterações em 2018. Mas, como em 2017, o Brasil permanece em boa situação, tendo ingressado no País US$ 20,36 bilhões de IED no período janeiro-abril de acordo com dados do Banco Central.

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