Investimentos no Tietê

O governo do Estado de São Paulo recebeu do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aporte de mais R$ 1,35 bilhão para a terceira etapa do projeto de despoluição do Rio Tietê. Além desses recursos, a Sabesp conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartidas próprias, num total de R$ 3,9 bilhões. O dinheiro do BNDES será utilizado pela Sabesp para aumentar a coleta e o tratamento de esgoto na capital e em mais 28 municípios da Grande São Paulo. Servirá também para custear os trabalhos de despoluição dos principais rios da região metropolitana - além do Tietê, o Pinheiros e o Tamanduateí. Graças ao Projeto Tietê, iniciado em 1992, já se obteve uma redução considerável da mancha de poluição, principalmente no interior do Estado. Segundo a presidente da Sabesp, Dilma Pena, a mancha recuou da cidade de Barra Bonita para Salto, a 160 quilômetros.

O Estado de S.Paulo

30 Março 2013 | 02h08

Mas os resultados poderiam ter sido mais significativos, se os prefeitos das cidades que compõem a Bacia do Tietê tivessem ajudado a melhorar a gestão do lixo urbano e colaborado para fazer as ligações das tubulações de esgoto domiciliar à rede pública.

Nessa fase do Projeto Tietê, serão realizadas mais de 500 obras, entre as quais as das maiores estações de tratamento de esgoto da América Latina. E também 1.250 quilômetros de redes para coleta doméstica e outros 580 quilômetros de grandes tubulações por onde escoa o esgoto dos bairros em direção ao tratamento. Três estações passam por ampliações. Na maior delas, a Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri, a capacidade de despoluição das águas passará de 9,5 mil litros para 16 mil litros por segundo. Outras nove estações menores estão em construção e, até o fim da terceira etapa do projeto, o índice de coleta de efluentes atingirá 87% e o de tratamento, 84%. A Sabesp espera realizar também 200 mil ligações domiciliares.

Está na hora de todos assumirem sua parcela de responsabilidade na execução desse que é o maior projeto ambiental do mundo. O governo estadual tem feito a sua parte. Além dos altos investimentos no Projeto Tietê, a Sabesp executa outros programas com o objetivo de reduzir o despejo de lixo e esgoto no trecho do rio que corta a capital. Entre eles, o Programa Córrego Limpo, por meio do qual já despoluiu 137 cursos d'água da cidade. Em São Bernardo do Campo, no ABC, o Pró-Billings tem trazido melhorias para a qualidade das águas da represa. No entorno dos dois maiores mananciais, Billings e Guarapiranga, e nas áreas de nascentes dos Rios Tietê, Cotia e Juqueri, importantes investimentos estão sendo feitos no Programa Vida Nova/Mananciais, por meio do qual redes de coleta e estações de tratamento são instaladas para evitar o despejo dos efluentes nos reservatórios. O governo do Estado espera ter, até 2020, sistemas de coleta e tratamento de esgoto em 100% das 28 cidades operadas pela Sabesp na região metropolitana.

A cada meta estabelecida ou ajustada, críticas são feitas à morosidade do projeto, sempre sustentadas por comparações com ações similares realizadas em grandes rios de outras capitais do mundo, como o Tâmisa, de Londres. A propósito, o governador Geraldo Alckmin lembra que o Tâmisa é um rio de foz, que corre rápido, enquanto o Tietê é mais lento. Não bastasse isso, há 20 milhões de pessoas em seu entorno e uma grande parte dessa população não tem, ao contrário do que acontece na Inglaterra, consciência clara da importância do rio e da necessidade de protegê-lo.

O último Relatório de Qualidades das Águas Superficiais no Estado de São Paulo, divulgado no ano passado pela Cetesb, mostra que dos 176 municípios da Bacia do Tietê, menos de 30% contam com sistema de coleta e tratamento completo de esgoto. É muito pouco. Por isso, mesmo que os 28 municípios em que opera a Sabesp, desde Salesópolis até a foz, atinjam 100% do esgoto coletado e tratado, será um avanço ainda insuficiente. Daí a importância de continuar a investir pesadamente no Projeto Tietê.

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