Ipea constata aumento dos investimentos

O investimento foi liderado pelo bom desempenho do consumo aparente (que inclui importações e elimina exportações), que aumentou 0,7% na mesma base de comparação

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 03h02

Apesar da incerteza econômica, a taxa de investimento, conhecida como Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceu 0,5% entre março e abril, segundo a Carta de Conjuntura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada há alguns dias. O investimento foi liderado pelo bom desempenho do consumo aparente (que inclui importações e elimina exportações), que aumentou 0,7% na mesma base de comparação. O cenário seria melhor, segundo os economistas do Ipea, se o panorama para o mercado de trabalho não continuasse “deprimido”.

Não apenas a taxa de investimento cresceu, mas também a economia como um todo se expandiu, embora a velocidade da recuperação tenha caído entre o primeiro e o segundo trimestres. “Essa é uma retomada cíclica, porém menos intensa do que projetávamos anteriormente”, disse o diretor de Macroeconomia do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Jr.

Um dos melhores indicadores de abril veio da indústria, cuja variação foi positiva em 0,5%, comparativamente a março. Na comparação em períodos de 12 meses, a produção física em abril caiu 4,2% e a de março, 4,6%.

O desempenho da indústria ainda é heterogêneo, destacando-se as categorias de bens de capital e bens intermediários, que avançaram 0,7% e 0,2%, respectivamente, enquanto o setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis registrava queda de 2,6%.

Outros segmentos, como o da construção civil, também apontam para um recuo, que foi de 3,6% entre fevereiro e março e de 0,2% entre março e abril. Quando muito se pode afirmar que a intensidade da queda foi menor. Ainda não há convicção de que a recuperação já começou.

A situação da indústria merece um destaque especial, por sua importância para o nível de investimento e para o mercado de trabalho. Segundo o boletim Análise Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o emprego industrial é “o principal fator a condicionar” o comportamento recente do nível de desocupação apurado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do IBGE. “A indústria ainda não chega a recontratar, mas claramente está parando de demitir”, afirmam os economistas do Iedi. Se o comportamento do emprego industrial for replicado nas demais áreas da economia, a perspectiva de retomada se robustece.

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