Juro ativo caiem ritmo muito lento

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O Estado de S.Paulo

25 Abril 2017 | 03h12

Ao contrário do juro básico que cai rapidamente, os juros cobrados das famílias e das empresas estão em queda há quatro meses, mas em velocidade reduzida e insuficiente para estimular a tomada de recursos e o consumo, o que daria consistência à recuperação da economia que vem sendo apontada por diversos indicadores há algumas semanas. O nível de juros ativos (cobrados dos clientes) terá de cair bem mais para ajudar a retomada.

Em março, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o juro médio pago pelas pessoas físicas foi de 8,07% ao mês nas operações feitas com as lojas, cartão de crédito, cheque especial, CDC e empréstimos pessoais nos bancos e nas financeiras. Para as pessoas jurídicas, a taxa média de 4,64% ao mês nas operações de capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida evidencia que o custo do crédito continua exorbitante num período de retomada incipiente.

Entre as linhas mais caras e cujo custo vem caindo menos está o rotativo do cartão de crédito, que saiu de 444,03% ao ano em fevereiro para 442,33% ao ano em março, justificando a apreensão das autoridades que limitaram a renovação indefinida dessa linha. No mesmo período, o custo do cheque especial caiu menos de um ponto porcentual, de 306,63% para 305,75% ao ano.

As atividades do varejo são particularmente sensíveis aos juros elevados do crediário, em média de 5,86% ao mês (98,05% ao ano) em março. Juros semelhantes foram registrados nas sete regiões pesquisadas pela Anefac, com as exceções de São Paulo e Brasília (onde a média foi de 5,70% ao mês) e em Minas Gerais (onde a média chegou a 6% ao mês).

Numa fase de declínio acentuado da inflação, constata-se que nada semelhante ocorre com os juros, que persistem em níveis altíssimos.

Analistas argumentam que a combinação de fraqueza econômica, desemprego, ameaça de inadimplência e tributos elevados leva as instituições financeiras a racionar a oferta de crédito e a cobrar juros altos. Mas, para os tomadores e para a necessidade premente de reativar a economia, o nível de juros é, salvo exceções, insuportável. Se é ótimo para os acionistas de bancos, cujo patrimônio cresce com a valorização das ações, como ocorreu há dias, é péssimo para quem precisa de crédito.

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