Juro em queda poderá evitar recuo mais forte do investimento

A experiência externa mostra o quanto poderá ser relevante uma queda acentuada dos juros no País, evitando efeitos ainda mais danosos sobre os investimentos, sem os quais poderá ficar comprometida a capacidade do País de competir e elevar a produtividade industrial

O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h44

Que juros altos prejudicam a atividade econômica e que queda de juros ajuda a retomada não há dúvida. Mas poucos estudos mostram com tanta clareza como juros excessivamente elevados corroem a saúde de devedores e impõem desalavancagem – ou seja, redução das dívidas das famílias e das empresas – como o texto Desalavancagem do setor privado não financeiro: a experiência internacional, da economista do Bradesco Daniela Cunha de Lima.

As empresas não financeiras e famílias brasileiras têm dívida relativamente pequena (70,1% do PIB em junho, segundo o Banco de Compensações Internacionais) em relação às dívidas de outros países, como Dinamarca, Portugal, Espanha, Nova Zelândia, Austrália e Reino Unido (de 150% a mais de 200% do PIB).

Mas, como os juros são altos – a despeito da redução de 0,75 ponto porcentual da taxa básica aprovada pelo Copom na semana passada –, o comprometimento da renda com o pagamento da dívida é elevado e, quando alcança de 20% a 25%, deixa de ser sustentável. O Brasil está nessa condição. E por isso está “desalavancando”, ou seja, reduzindo o crédito. O problema são as consequências dessa política.

Em períodos de alavancagem, o investimento é maior como proporção do PIB. Esse fato evidencia a importância do crédito para o ritmo da atividade e para o investimento. De outra parte, a desalavancagem ajuda a explicar por que vem caindo a taxa de investimento. Situações semelhantes ocorreram em 28 países analisados, tanto os nórdicos, como Suécia, Noruega e Finlândia, quanto os asiáticos, como Cingapura, Tailândia, Malásia e Coreia do Sul.

A diferença aparece na relação entre política monetária e investimentos. A desalavancagem significou menos investimento em todos os países analisados, mas naqueles em que a queda de juros foi mais rápida e acentuada o impacto final sobre os investimentos foi menor.

A experiência externa mostra o quanto poderá ser relevante uma queda acentuada dos juros no País, evitando efeitos ainda mais danosos sobre os investimentos, sem os quais poderá ficar comprometida a capacidade do País de competir e elevar a produtividade industrial.

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