Juros altos inibem o mercado de capitais

A alta de juros é fator de inibição do mercado de ações, mostra estudo do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec-Ibmec). O impacto negativo da taxa Selic sobre o mercado acionário é assustador: entre dezembro de 2007 e dezembro de 2015, o valor das ações caiu de 78,2% para 27,2% do PIB. Com isso, a relação entre a poupança financeira das entidades não financeiras, cujo peso maior é o das ações, caiu de 167,1% do PIB para 128,8% do PIB.

O Estado de S. Paulo

07 Junho 2016 | 03h00

Diminuiu, assim, a poupança financeira – ou seja, os recursos de que dispõem pessoas físicas e jurídicas para investir. Dados do IBGE não comparáveis com os do Cemec, mas que reforçam a gravidade do problema, indicam que entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 a taxa de poupança caiu de pífios 16,2% do PIB para o nível ainda mais baixo de 14,3% do PIB. 

Em igual período, segundo o Cemec, a poupança em instrumentos de captação bancária, títulos da dívida pública e compulsória (FGTS e FAT) aumentou, sem compensar a queda de valor das ações. Cresceram mais as aplicações em títulos bancários incentivados (Letras Financeiras, Letras de Crédito Imobiliário e de Crédito Agrário), além de títulos públicos, em especial na modalidade Tesouro Direto.

Segundo Carlos Antonio Rocca, responsável pelo estudo, a experiência internacional comprova a importância do mercado de capitais como fator de crescimento. No Brasil é pequeno o número de empresas com acesso ao mercado de ações ou ao mercado de dívida corporativa (de longo prazo). E há poucos investidores: apenas 0,3% da população aplicava em ações em 2013, ante 31% no Japão, 13% nos Estados Unidos, 4% na Alemanha e 0,7% na Índia.

O desinteresse pelo mercado de ações cresceu com as falhas na governança corporativa em empresas estatais, impondo prejuízo a investidores minoritários, como na Petrobrás e na Eletrobrás. O calote da OGX também afetou o mercado de dívidas corporativas.

Sem acesso ao mercado de capitais, a quase totalidade das empresas brasileiras depende de empréstimos a juros muito altos para se financiar. Perdem, assim, condições de disputar o mercado com grandes empresas que podem se valer do mercado acionário e companhias que tomam crédito a juros módicos.

Capitalizar-se por meio de emissão de ações ou debêntures permitiria às empresas não só sobreviver à recessão, mas recuperar a capacidade de investir.

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