Juros caem, mas as taxas não

Em 2008, as taxas de administração dos fundos de investimento destinados a pessoas físicas foram de 2,52% ao ano, em média, segundo analistas privados, e de 2,16% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). São porcentuais muito altos, que reduzem a remuneração paga aos aplicadores. Apontam, tudo indica, para uma distorção, que vem à tona como resultado direto da discussão sobre a redução da renda das cadernetas de poupança.Atrelada em geral à taxa Selic, a remuneração dos fundos de renda fixa caiu a menos da metade com a queda dos juros básicos, enquanto os bancos pouco reduziram a taxa de administração.Segundo o professor William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos de Finanças da FGV, para uma taxa Selic de 28,79% ao ano, em 1998, a taxa de administração dos fundos foi de 2,73% - ou seja, correspondia a 9,4% dos juros. Em 2008, para uma Selic de 12,48%, a taxa de administração de 2,52% ao ano passou a corresponder a 20,1% da Selic - ou seja, mais que o dobro em relação a 1998.Os fundos de renda fixa aplicam a maior parte de suas disponibilidades em títulos públicos, o que não envolve maior complexidade. Em caso de desvalorização dos papéis, as cotas dos fundos também perdem valor e vice-versa. O risco dos bancos, portanto, é baixo. São poucos os casos de clientes que processam as instituições por prejuízos.O custo de administração dos fundos que operam no atacado não só é menor, como diminuiu, segundo Eid, de 1,03% ao ano, em 1998, para 0,66%, em 2008.Fundos de pensão fazem licitações para a gestão de suas carteiras de renda fixa, com vistas a pagar taxa menor. Um deles consegue pagar a taxa de apenas 0,06% ao ano, segundo reportagem de Leandro Modé, publicada sábado pelo Estado.O Banco Central (BC) e os bancos pretendem eliminar a garantia de juros de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial, a TR (neste mês, de 0,04%), para as cadernetas de poupança, sob o argumento de que ela dificulta a queda da taxa Selic. Mas o problema é mais amplo: os bancos não querem enfrentar a competição da caderneta para não perder uma renda de cerca de R$ 17 bilhões, em 2008, proveniente das taxas de administração dos fundos, e o BC teme uma saída dos aplicadores em fundos.A discussão sobre a caderneta estimula os aplicadores a buscar informação sobre o que pagam aos bancos para gerir seus fundos.

, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

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