Liquidez maior com a queda da dívida

A economia ficou mais líquida, em abril, com a queda de 1,02% da dívida pública federal, em relação a março, segundo o Tesouro Nacional. Mas é um fato episódico, não uma tendência. A evolução da dívida continua incerta, pois depende das necessidades de financiamento do governo para enfrentar o aumento dos gastos públicos.Na primeira semana de abril venceram R$ 32,8 bilhões em papéis prefixados, mas o Tesouro emitiu apenas R$ 5,8 bilhões desses títulos. No mês, os resgates foram de R$ 38,8 bilhões e as colocações de dívida, de R$ 21,2 bilhões - houve resgate líquido de R$ 15,65 bilhões, além de R$ 2 bilhões de resgates em títulos da dívida externa.O fenômeno é sazonal, pois os vencimentos de papéis prefixados se concentram nos primeiros meses de cada trimestre.Aparentemente, o Tesouro não vendeu mais papéis prefixados porque acredita em queda de juros no longo prazo. Uma alternativa seria colocar mais prefixados com prazos muito dilatados, contribuindo para o alongamento da dívida pública. Hoje, o prazo médio é estável: de 3,54 anos, em março, e de 3,55 anos, em abril.Os vencimentos nos próximos 12 meses caíram de 32,38% da dívida, em março, para 30,62%, em abril. Esse é um sinal de que não estão previstas maiores pressões sobre a dívida no curto prazo.O Tesouro constatou um aumento da demanda de NTNs-B pelos fundos de pensão. São papéis cuja remuneração é baseada em índices de preços e, portanto, um mecanismo de defesa contra a baixa dos juros, que afeta a meta atuarial dos fundos.Outra fonte de aumento da demanda vem dos aplicadores no chamado Tesouro Direto, que já tem 156 mil investidores cadastrados, dos quais 2.292 chegaram em abril. O saldo dessas aplicações ainda é pequeno - de R$ 2,7 bilhões -, mas tende a crescer.Foi dada ênfase à redução do custo médio da dívida, acumulado nos últimos 12 meses, de 15,60%, em março, para 15,13%, em abril - 0,47 ponto porcentual menos. Em um mês, a redução foi de fato expressiva, mas é provável queda muito maior à frente. Isso não ocorreu até agora. Em dezembro de 2008, o custo médio da dívida era de 15,91% ao ano e a queda, de 0,78 ponto porcentual no quadrimestre. Entre dezembro de 2008 e abril de 2009, o juro básico caiu de 13,75% para 10,25%, ou seja, 3,5 pontos porcentuais.Mesmo num cenário de queda de juros, mantida a credibilidade, o Tesouro poderá alongar o prazo dos títulos.

, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.