Luz de menos

A AES Eletropaulo trata os consumidores de energia elétrica de sua área de concessão, que abrange a cidade de São Paulo e 23 outros municípios, com muita igualdade. Todos os bairros ou cidades da região estão sujeitos a blecautes cada vez mais frequentes, que apagam semáforos, deixam pessoas presas em estações ou trens do metrô, causam grandes prejuízos às empresas e facilitam ainda mais a ação de criminosos. Isso quando não é interrompido o fornecimento de água, como ocorreu há dias em bairros da zona leste da cidade, infernizando a vida de 200 mil moradores. Levantamento feito entre janeiro e março deste ano revela que foram encaminhadas à Arsesp, a agência que regula o fornecimento de energia elétrica no Estado de São Paulo, 3.908 reclamações contra os serviços da AES Eletropaulo, 43% a mais que no mesmo período de 2010. As chuvas são sempre a grande desculpa apresentada pela concessionária, mas os índices pluviométricos da região não foram mais elevados em São Paulo em 2011, no período em questão, que os de 2010. O que isso indica é que a empresa não está investindo adequadamente na manutenção de sua rede de distribuição de eletricidade.

, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2011 | 00h00

Chuvas intensas provocam quedas de árvores ou de galhos e a concessionária chegou mesmo a firmar, em dezembro de 2010, um acordo com a Prefeitura de São Paulo para acelerar as podas. Os resultados não são conhecidos, mas o problema não pode ser atribuído somente a esse fator. "O que acontece é um somatório de eventos, desde a queda de árvore até a falta de manutenção da Eletropaulo", como disse ao Estado o engenheiro Reinaldo Lopes, professor da FEI. Ele explicou que normalmente, quando um galho de árvore bate na rede elétrica, sendo o fio de cima desencapado, há um curto-circuito, e os sistemas de proteção cortam o fornecimento de energia. Mas não se trata de deficiência de tecnologia ou de obsolescência dos equipamentos, mas de uma questão de descaso. Há problemas até de vedação nos transformadores para evitar a entrada de água. "É preciso uma manutenção preventiva eficiente. Não apenas uma ação corretiva, como é hoje", como disse o professor. Os números lhe dão razão: 14% das panes no sistema elétrico paulistano são causadas por falhas em equipamentos.

A concessionária se escuda em parâmetros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que não primam pelo rigor. Segundo a AES Eletropaulo, nos três primeiros meses de 2011, a região que atende ficou 9,9 horas sem luz, um período menor que as 12,7 horas às escuras no primeiro trimestre do ano passado. A empresa menciona ainda o fato de que, entre as 55 grandes concessionárias de energia do País, ela ficou em terceiro lugar no ranking das companhias com menores frequências de quedas de energia.

Isso não quer dizer que a situação na Grande São Paulo seja boa, mas apenas que é menos pior que em outras regiões do País. O que se verifica hoje na prática é que cada vez maior número de prédios de empresas e edifícios residenciais vêm sendo obrigados a recorrer à instalação de geradores de eletricidade movidos a diesel, em prejuízo não só do bolso do consumidor, mas do meio ambiente. É recomendável que hospitais, escolas, indústrias e empresas que não podem dispensar o trabalho noturno contem com equipamentos de backup para o caso de falha no fornecimento de eletricidade. Isso que deveria ser uma exceção está a caminho de tornar-se uma regra.

Sim, o consumidor tem o direito de pedir reembolso por perdas, no caso de interrupção de serviços essenciais ou danos em eletrodomésticos, computadores, etc. Mas, frequentemente, os usuários se intimidam com a burocracia e deixam tudo por isso mesmo.

A Arsesp já multou no passado a AES Eletropaulo em R$ 23 milhões, dos quais só R$ 7,8 milhões foram pagos, estando o restante em fase de recurso. O que chama a atenção é que, apesar do aumento espetacular do número de reclamações de consumidores, a agência reguladora paulista ainda não multou, neste ano, em nem um centavo, a concessionária.

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