Mais emprego, mais confiança

Melhores condições de emprego continuam acompanhando a reativação da economia, com recuo lento, mas firme, dos indicadores de desocupação

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2017 | 03h05

Melhores condições de emprego continuam acompanhando a reativação da economia, com recuo lento, mas firme, dos indicadores de desocupação. Mais pessoas trabalhando, assalariadas ou por conta própria, têm reforçado o consumo e contribuído para dar mais vigor à produção e à venda de bens e serviços. É um benéfico efeito bumerangue: maior atividade reduz o número de pessoas desocupadas e mais pessoas em condições de ir às compras dinamizam os negócios. Graças a esse movimento, o desemprego caiu para 12,2% da força de trabalho no trimestre móvel de agosto a outubro, com redução de 0,6 ponto porcentual em relação ao período de maio a julho. Nessa sequência o número de pessoas desempregadas diminuiu de 13,33 milhões para 12,74 milhões. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O quadro ainda é pior que o de um ano antes, quando os desocupados eram 12,04 milhões, 11,8% da população ativa. Mas é bem melhor que o do início do ano, quando o desemprego atingiu o nível mais dramático, 13,7% no período de janeiro a março, com 14 milhões de trabalhadores em busca de uma vaga e de um salário.

Mais dinheiro para gastar significa mais que um desafogo para alguns milhões de pessoas dependentes de novas oportunidades. O gasto adicional de cada indivíduo ou de cada família tem um efeito multiplicador no conjunto da economia. Cada real adicionado ao consumo gera um efeito bem maior que o gasto original.

Por isso, o aumento da massa de rendimentos ocorrido em um ano é apenas parte de um processo de expansão, sem limite visível, neste momento, se for excluída a hipótese de novo desastre. No trimestre móvel de agosto a outubro a massa de rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos atingiu R$ 189,8 bilhões, segundo o IBGE. Descontada a inflação, esse montante foi 4,2% maior que o de um ano antes e 1,4% superior ao de maio a julho deste ano.

A expansão da massa real de rendimentos foi possibilitada tanto pelo aumento dos ganhos individuais quanto pelo crescimento do número de pessoas ocupadas. Esse contingente, estimado em 91,5 milhões de pessoas, aumentou 1,8% em um ano. O número inclui pessoas dedicadas a todos os tipos de ocupação, assalariados ou por conta própria.

Quanto aos ganhos individuais, eles foram favorecidos inicialmente pela baixa da inflação, que ajudou a preservar a renda individual ou familiar. Outros ganhos em relação ao valor dos salários podem ter ocorrido, mas o ponto de virada foi mesmo consequência da política anti-inflacionária. Contrariando novamente as opiniões favoráveis à tolerância inflacionária, a política do Banco Central favoreceu tanto o consumidor individual como abriu caminho para a reativação dos negócios.

No trimestre de agosto a outubro o emprego com carteira assinada permaneceu estável em relação ao período de maio a julho. O aumento de vagas dependeu, portanto, de contratações informais, menos seguras e, em geral, com menor exigência de qualificação. Quando se considera, no entanto, o período de um ano, há sinais de ganhos qualitativos, com aumento da ocupação na indústria geral, no comércio, na reparação de veículos, em alojamento e alimentação, em serviços de comunicação e informação e em atividades financeiras, imobiliárias e administrativas.

A percepção de condições melhores e mais seguras de emprego é um dos fatores estimulantes da intenção de consumo, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. A intenção de consumo, calculada com base em sete indicadores, continua em 80,2 pontos, abaixo da linha de indiferença, indicada pelo nível 100. Mas houve elevação de 7,9% em um ano, claro reflexo da melhora do ambiente. Dos sete componentes, os mais altos correspondem ao emprego atual, à perspectiva profissional e à renda presente. Não é fácil construir essa confiança. Mas é fácil destruí-la. Bastam alguns desatinos políticos.

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