Mais empregos e salários fortalecem o consumo

O mercado de trabalho teve evolução positiva em 2009, com a maioria dos dissídios trabalhistas registrando alta real de salário, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Essa situação persiste em 2010. Além disso, em maio o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apurou a criação de quase 300 mil vagas formais e o IBGE, o menor nível de desemprego para o mês, desde 2002 (7,5%, nas seis maiores regiões metropolitanas).

, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2010 | 00h00

Em 2009, de 692 categorias de trabalhadores pesquisadas pelo Dieese, 553 tiveram alta real de salários e 88 conseguiram repor a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Neste ano a construção civil já elevou os salários reais em 2,4%, em 1.º de maio, e estão previstos reajustes reais acima de 2% em categorias como metalúrgicos, químicos e bancários. Se o aumento real médio dessas categorias for de apenas 1%, será injetado na economia R$ 1,6 bilhão mensal, segundo reportagem do Brasil Econômico.

Entre janeiro e maio, foi gerado 1,26 milhão de empregos formais, dos quais 432 mil no setor de serviços; 349 mil na indústria de transformação; 119 mil na agropecuária; 117 mil no comércio; e 205 mil na construção civil - setor que contratou 321 mil pessoas entre junho de 2009 e maio de 2010.

Pelo critério de renda, destacou-se a indústria de transformação, que abriu meio milhão de postos com carteira assinada, em 12 meses. Em cinco setores de consumo de massa (alimentos e bebidas, têxtil e vestuário, químicos e farmacêuticos, calçados e produtos de borracha, fumo e couros) foram abertas 33 mil vagas, em maio, e 184 mil, neste ano.

Pelo critério regional, destacaram-se o Sudeste, com 189 mil vagas abertas no ano (+1,02%), puxado por Minas, Espírito Santo e São Paulo; e o Nordeste, com 45 mil (+0,89%), liderado por Bahia, Paraíba e Pernambuco. Mas neste ano o Nordeste ainda ocupa o último lugar entre as regiões que mais geraram empregos formais (+1,48% ou 75 mil), abaixo da média nacional (3,82%). O aumento do emprego, em 2010, é maior no interior, salvo as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Emprego e renda em alta deverão sustentar o ritmo de consumo, embora haja leves sinais de contenção: entre o 1.º e o 2.º trimestres, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, arrefeceu a disposição de compra de bens duráveis e caíram o endividamento e a inadimplência. Se mais emprego e renda estimularem a poupança, será sinal de prudência dos trabalhadores, já que é provável um aperto fiscal pós-gastança eleitoral.

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