Mais firmeza na indústria

O fortalecimento da indústria é o sinal mais importante de recuperação da economia. Tendência é cada vez mais clara

O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 03h02

O fortalecimento da indústria é o sinal mais importante de recuperação da economia brasileira. Essa tendência parece cada vez mais clara a cada novo balanço da atividade. Em julho, a produção geral do setor foi 0,8% maior que em junho e 2,5% superior à de um ano antes, segundo informou na terça-feira passada o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também tinha havido crescimento mensal em maio (4,1%) e em junho (0,5%). A atividade industrial ainda é, no Brasil, a principal fonte de empregos classificados internacionalmente como “decentes”, pela formalidade, pelos padrões salariais e pelo conjunto de benefícios complementares.

A demanda dos consumidores, embora ainda limitada pelo desemprego de mais de 13 milhões de pessoas, tem sido o principal motor de arrasto da produção da indústria. A fabricação de bens de consumo aumentou 0,6% de junho para julho, superou por 4,9% a de julho do ano passado e em sete meses foi 1,4% superior à de igual período de 2016. O volume acumulado em 12 meses ainda foi negativo, com recuo de 1%. Mas o decréscimo, nessa comparação, tem sido cada vez menor.

Seria exagero falar de um descolamento da economia em relação à política. Não se deve menosprezar o potencial destruidor do jogo de poder disputado em Brasília. Mas desta vez, mesmo com a turbulência política deflagrada em maio com a denúncia contra o presidente, a recuperação econômica prosseguiu.

A reativação poderia ter sido mais forte, talvez, sem a insegurança ocasionada pela crise brasiliense e apontada em várias pesquisas. Mas o balanço geral da economia continuou positivo. Ainda insuficiente para reduzir o desemprego a níveis mais próximos da normalidade, a oferta de vagas tem aumentado, no entanto, e a absorção de trabalhadores tem crescido também na indústria.

Em julho, a indústria de transformação gerou 12.594 empregos formais, 35% dos 35.900 criados, em termos líquidos, no mês. De janeiro a julho, o saldo de empregos oferecidos no setor chegou a 40.498, 35% do total de 112.580, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) atualizado mensalmente pelo Ministério do Trabalho. A indústria extrativa teve desempenho mais fraco, eliminando 224 postos em julho.

Embora o consumo permaneça como o principal motor da atividade, também a área de máquinas e equipamentos, isso é, de bens de capital, tem exibido sinais de melhora. Isso pode parecer estranho à primeira vista. O grupo de bens de capital foi o único dos três grandes segmentos (os outros são bens intermediários e bens de consumo) com resultado positivo acumulado em 12 meses: 3,8% de crescimento sobre o período imediatamente anterior. O total produzido de janeiro a julho foi 3,7% maior que o dos mesmos sete meses de 2016. O de julho ultrapassou por 8,7% o resultado de um ano antes e de junho para julho houve crescimento de 1,9%.

Como a recuperação é recente e há muita ociosidade, parece surpreendente o aumento da produção de bens de capital. Alguns detalhes eliminam o aparente mistério. Embora tenha crescido a fabricação de quase todos os bens desse grupo, o conjunto foi puxado claramente pela produção de equipamentos de transporte de mercadoria e de bens para uso no campo.

O consumo e o desempenho da agropecuária explicam esse resultado. De janeiro a julho a fabricação de bens de capital para agricultura foi 18,9% maior que a do ano anterior. O mesmo confronto indicou aumento de 13,5% na produção de máquinas e equipamentos de uso misto e de 25,5% na fabricação de bens para construção.

Quanto à produção de bens duráveis de consumo, foi favorecida também pelo aumento da exportação de manufaturados, influência muito visível, por exemplo, no caso dos veículos de passageiros.

A inflação em queda e o compromisso do governo com reformas e ajustes têm dado um horizonte aos empresários. Mas seria arriscado esquecer o risco político.

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