Mais jovens ingressam no mercado

A maior absorção de jovens é devida, em grande parte, ao aquecimento do mercado informal, que avançou 6,9%, reproduzindo o padrão da evolução do emprego em geral

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 03h13

O mercado de trabalho começa a absorver mais jovens entre 18 e 24 anos. É sinal de que começa a ser superado um dos problemas mais desafiadores do mercado de trabalho numa economia que começa a sair da crise. A normalmente alta taxa de desemprego nessa faixa de idade subiu nos últimos anos e se transformou num drama adicional para um país que precisa gerar colocações para o imenso contingente que perdeu o emprego durante a crise.

No terceiro trimestre deste ano, os postos de trabalho nesse segmento aumentaram 3,1% na comparação com o mesmo período de 2016, como informa a mais recente Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esse avanço, porém, ficou abaixo da taxa de crescimento da População Economicamente Ativa (PEA), que, entre os jovens, aumentou 4,3% no terceiro trimestre na comparação interanual, o que resultou no aumento da taxa de desemprego nessa faixa.

É um fenômeno estatístico. Os números mostram que, obviamente, mais jovens foram contratados, o que é uma notícia animadora. Mas a percepção de mais oportunidades no mercado deve ter animado uma quantidade ainda maior de jovens a buscar ocupação, o que fez a PEA dessa faixa etária crescer mais depressa do que o número de ocupados. “Isso tem impedido que a taxa de desocupação caia mais rapidamente”, diz Maria Andréia Lameiras, uma das autoras do estudo.

A maior absorção de jovens é devida, em grande parte, ao aquecimento do mercado informal, que avançou 6,9%, reproduzindo o padrão da evolução do emprego em geral. Observou-se também aumento de 4,8% do contingente de jovens que se estabelecem por conta própria, seja informalmente, seja como Microempreendedor Individual (MEI) ou sociedade inscrita no Simples Nacional.

A inserção no mercado de trabalho tem sido bem mais propícia para os jovens mais qualificados. A desagregação dos dados pelo Ipea mostra aumento da ocupação em todos os graus de instrução, mas sobressai-se a faixa daqueles com curso superior, cujo nível de ocupação cresceu 7,8%.

O estudo cita, também, o aumento da remuneração de 1,4% dos jovens, revertendo a queda de 0,6% no segundo trimestre. Para 2018, o Ipea espera continuidade tanto da expansão do emprego quanto dos rendimentos dessa faixa etária.

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