Melhora cambial favorece captação

O Tesouro e as empresas brasileiras captaram no exterior, entre 1º de janeiro e 14 de maio, US$ 4,93 bilhões, segundo reportagem do Estado de domingo. A reabertura do mercado internacional para as emissões brasileiras se explica pela melhora das contas cambiais do País e a percepção de que os títulos brasileiros têm menor risco em relação aos demais emergentes.No segundo semestre de 2008, as empresas brasileiras captaram apenas US$ 500 milhões no exterior. Entre setembro e dezembro, não houve qualquer colocação. Mas, em janeiro, o Tesouro fez uma emissão soberana de US$ 1,25 bilhão; em fevereiro, a Petrobrás captou US$ 1,5 bilhão; em abril, foram ao mercado externo Odebrecht, Telemar e JBS-Friboi, lançando US$ 1,65 bilhão; e, em maio, o Tesouro fez a segunda captação do ano (US$ 750 milhões, pagando juros de 5,8% ao ano, inferiores aos 6,127% pagos em janeiro).O interesse em aplicar ou investir no Brasil já era constatado no mercado acionário, que recebeu aportes líquidos de R$ 3,77 bilhões em abril.Mas houve novos indícios positivos, nas últimas semanas, sobre o balanço de pagamentos, em especial a recuperação das reservas, que atingiram US$ 203,2 bilhões, na quinta-feira, e as estimativas de saldo positivo na balança comercial, beneficiadas pela diversificação da pauta de exportações e pela queda das importações.No início deste ano, um único banco previa superávit comercial da ordem de US$ 20 bilhões, em 2009, muito superior à média das projeções. Mas, na semana passada, outras instituições elevaram a projeção para mais de US$ 22 bilhões e uma já prevê saldo de US$ 30 bilhões. Com isso, será menor o déficit na conta corrente com o exterior.Vários motivos levam as empresas a tomar crédito externo: a contenção do crédito interno, a tendência de valorização do real (de mais de 5%, nos últimos 30 dias), fortalecendo a crença de analistas de que o real continuará forte, e a queda do risco Brasil (de 50 pontos, entre 15/4 e 15/5, o que significa juros menores para os tomadores).Além disso, muitas empresas - sobretudo as exportadoras, com receitas em dólares - preferem aproveitar a janela de oportunidade aberta no mercado internacional para tomar recursos em moeda estrangeira.A retomada da captação externa ajuda a economia, pois libera crédito interno aos tomadores de menor porte, o que tende a favorecer a redução do custo dos empréstimos.

, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

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