Melhora do clima econômico

A divulgação do PIB com queda, no primeiro trimestre, inferior à prevista e a decisão do Comitê e Política Monetária (Copom) de reduzir de um ponto porcentual a taxa Selic despertaram certo otimismo no que se refere à marcha dos negócios. Parece existir realmente um clima melhor, que diversos indicadores estão confirmando.O mais recente é da Fundação Getúlio Vargas: o Sinalizador da Produção Industrial do mês de maio, com crescimento, para a indústria paulista, de 3,8%, com ajuste sazonal, e de 11,8%, sem esse ajuste. Os dados da balança comercial da segunda semana de junho mostram que as exportações tiveram uma média diária de US$ 627 milhões, ante US$ 549,3 milhões nos cinco primeiros meses do ano. E, para as importações, a média foi de US$ 442,8 milhões, ante US$ 456,6 milhões, sinalizando assim uma retomada das exportações e uma redução das importações.Essa retomada da atividade industrial encontra um terreno favorável. O sistema financeiro melhorou sua capacidade de responder à demanda de crédito, ao mesmo tempo que se registra uma ligeira redução das taxas de juros depois da decisão do Copom, que poderá se acentuar, desde que as instituições financeiras sofram a concorrência da Bolsa, onde as grandes empresas voltam a ter possibilidade de colocar novas ações. E o acesso ao mercado internacional para captação de recursos também está melhorando.A demanda doméstica deve continuar elevada, em razão das transferências governamentais, a indústria dispõe ainda de capacidade ociosa de produção e, caso necessário, poderá realizar novos investimentos, aproveitando-se da valorização do real ante o dólar. Não existem, no momento, pressões inflacionárias, como mostra o relatório Focus divulgado ontem pelo Banco Central.O governo poderia contribuir para dar um impulso a esse conjunto de condições favoráveis, ajudando a economia a sair da forte desaceleração por que passou. Deveria tirar uma clara lição do resultado obtido com a redução do ônus fiscal concedida a alguns setores, generalizando esse alívio para todo o sistema.Mas precisaria, paralelamente, reduzir as despesas correntes.Teria de melhorar a produtividade dos seus investimentos e apressá-los. Essa política, bem estruturada, permitiria reduzir o desemprego, que representa um fator altamente negativo para a retomada do crescimento.

, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 00h00

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