Melhora pontual da balança comercial

Foi excepcional o saldo de US$ 3,7 bilhões da balança comercial em abril, superando em 109,5% o de março e em 113,7% o de abril de 2008. Mas não se prevê que os números se repitam nos próximos meses, pois decorreram de uma recuperação aparentemente insustentável das exportações entre janeiro e abril.Embora as vendas externas de abril, de US$ 12,3 bilhões, tenham sido 12,9% inferiores às do mesmo mês de 2008, superaram em 18,5% a média mensal do primeiro trimestre, de US$ 10,3 bilhões. O mesmo ocorreu na comparação por dia útil, mais significativa: as exportações caíram 8% em relação a abril de 2008, mas cresceram de US$ 465,8 milhões, em janeiro, para US$ 616,1 milhões, em abril. Entre 27 e 30 de abril, a média diária, de US$ 707 milhões, foi 51,7% superior à de janeiro.A qualidade do comércio exterior piorou. As exportações dependeram de produtos básicos importados por países que produzem manufaturados. O País vendeu mais petróleo bruto, minério de ferro, farelo de soja, soja em grão e carne de frango. As commodities propiciaram, no mês, receita de US$ 5,59 bilhões, 10,9% mais do que as vendas de manufaturados, com maior valor agregado. As quantidades asseguraram o resultado, pois os preços das matérias-primas caíram.Ainda pior, houve queda de exportação de manufaturados, como óleos combustíveis, aparelhos transmissores e receptores, autopeças, pneumáticos, calçados, etanol, automóveis, laminados e aviões.O País, além disso, depende da China, que se tornou a maior parceira comercial, importando US$ 2,2 bilhões em produtos brasileiros, em abril, para repor estoques. Não se deve esquecer que maiores compras chinesas dependerão do ritmo econômico global.Acima de tudo, o superávit brasileiro derivou da queda de importações, de US$ 10 bilhões, em março, para US$ 8,6 bilhões, em abril. Pela média diária, a queda foi de 5,6% no mês, e de 26,6% em relação a abril de 2008. Não é bom sinal, pois indica menor atividade econômica.Em contrapartida, o superávit do comércio exterior confere melhor solvência ao País. Analistas preveem que o saldo positivo superará US$ 23 bilhões, em 2009, ante US$ 24,7 bilhões de 2008, não agravando o déficit em conta corrente e ajudando a atrair capitais.Mas, para o PIB, nada compensará a queda da corrente de comércio (exportações mais importações), de US$ 371 bilhões, em 2008, e projetada em cerca de US$ 310 bilhões, neste ano.

, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 00h00

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