Melhoras ainda não estimulam os investimentos

É grande a possibilidade de que a taxa de investimento demore mais a reagir, pois muitas empresas ainda operam com elevada ociosidade

O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2017 | 03h06

A taxa de investimento da economia brasileira caiu 2,1% entre fevereiro e março, com ajuste sazonal, segundo o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), divulgado há alguns dias. O indicador mostrou que os sinais econômicos favoráveis já visíveis, por exemplo, no setor primário, nas exportações, em alguns segmentos industriais e até no varejo ainda não foram suficientes para assegurar um aumento amplo do investimento – com aumento generalizado da capacidade, por meio da aquisição de máquinas e equipamentos, e da ativação da construção civil.

Na comparação entre os primeiros trimestres de 2016 e 2017, com indicadores ajustados sazonalmente, a FBCF ficou estável, como resultado da diminuição de 0,5% do consumo aparente de máquinas e equipamentos e do aumento de 1,2% do consumo aparente da construção civil. Mas, tomando só março, houve quedas de 2,4% e de 2,5%, respectivamente, nos indicadores.

É grande a possibilidade de que a taxa de investimento demore mais a reagir, pois muitas empresas ainda operam com elevada ociosidade e só farão compras de bens de capital quando estiverem usando com maior intensidade sua capacidade de produção e necessitarem investir para se ajustar à retomada da demanda.

A produção doméstica de bens de capital ainda exibe um comportamento fraco, com queda de 3,3% entre fevereiro e março, mas esse indicador é parcialmente compensado pelo aumento das importações de máquinas e equipamentos, de 9,1%. Ou seja, as cotações cambiais parecem favoráveis à importação de bens de capital.

Entre os números menos desfavoráveis do levantamento do Ipea está o da comparação entre os primeiros trimestres de 2016 e 2017: houve queda de 2,1%, bem menos intensa do que a registrada na comparação entre os últimos 12 meses, até março, e os 12 meses anteriores (-6,3%).

A retomada do investimento dependerá não só do aumento do consumo doméstico, como de concessões de infraestrutura – rodovias, portos, aeroportos, energia e saneamento, entre os que poderão atrair maiores volumes de capital externo. Mas este não é um processo rápido, pois os investidores terão de se convencer de que as regras serão mantidas no longo prazo. Por ora, os sinais de estabilidade normativa ainda parecem insuficientes.

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