Melhoria frágil das contas externas em maio

No primeiro quadrimestre do ano, os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) cobriram apenas 47,1% do déficit das transações correntes do balanço de pagamentos, mas em maio os IEDs foram 74,9% superiores ao déficit das transações correntes - uma volta à situação de 2009, quando os IEDs eram maiores que o déficit.

, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2010 | 00h00

Esses números têm de ser interpretados com cuidado, pois o próprio Banco Central (BC) está prevendo que o resultado líquido dos IEDs, no ano, será de US$ 36 bilhões, para um déficit de US$ 49 bilhões. Na realidade, em maio a entrada de capitais estrangeiros foi anormal, em razão de um excepcional investimento na área da química.

Embora o BC tenha revisado suas previsões para este ano, o déficit em transações correntes continua preocupante. De fato, registra-se uma nova onda de crise financeira na União Europeia, com uma queda violenta dos investimentos desses países, como são os casos da Alemanha, que nos cinco primeiros meses do ano reduziu de US$ 2,010 bilhões para US$ 749 milhões os seus investimentos; e da Espanha, de US$ 1,073 bilhão para US$ 30 milhões.

Não foram apenas os IEDs que diminuíram, mas também os investimentos em ações. Só os títulos de renda fixa permanecem atraentes, dada a sua remuneração elevada - que teremos de desembolsar no curto prazo.

Isso nos leva a nos preocuparmos com a conta de serviços e rendas, cuja previsão o BC reviu, em um mês, de US$ 62,5 bilhões para US$ 66,5 bilhões. Isso porque a crise na União Europeia leva as empresas implantadas no Brasil a transferirem o máximo possível de recursos para a matriz, ao passo que a manutenção de uma taxa cambial excessivamente valorizada é um convite para gastos no exterior, tanto para as viagens quanto para as importações.

A política em relação ao capital estrangeiro se torna incerta, pois conflita com a posição crescentemente nacionalista demonstrada pelo governo (como se tem visto na área das comunicações e na da venda de terras) e que no auge da campanha eleitoral poderá se acentuar.

Parece claro que vamos depender cada vez mais da conta financeira para cobrir o déficit das transações correntes. E constata-se um aumento da dívida externa, que em maio cresceu US$ 7 bilhões (o que acarreta, mais adiante, um aumento do montante dos juros a pagar). Tivemos uma rolagem de 66% da dívida, e o governo calcula que essa rolagem vá melhorar em junho, o que significa um novo crescimento da dívida...

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