Menos bebês e mais idosos

Cada vez mais as brasileiras deixam para constituir família após completarem 30 anos e têm menos filhos do que antes: em 2012, a taxa de fecundidade foi de 1,77 filho por mãe, abaixo de 2,1, a média mundial de reposição da população.

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2014 | 02h04

Conforme o estudo Saúde Brasil, feito pelo Ministério da Saúde para apontar tendências das taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade, surtos, epidemias e doenças, o porcentual de mães com 30 anos ou mais cresceu de 22,5% em 2000 para 30,2% em 2012. A pesquisa constatou que, quanto maior a escolaridade, mais alta é a idade das mães no parto, sobretudo as que informaram não ter tido filhos antes. Mulheres com 12 anos ou mais de estudos têm o primogênito, com frequência maior, acima dos 30 anos (45,1%).

Enquanto isso, 51,4% das com até 3 anos de escolaridade e 69,4% das com 4 a 7 anos chegam à maternidade com menos de 20 anos. Na média geral, o número de mulheres que tiveram filhos com menos de 19 anos caiu de 23,5% para 19,3% no período estudado. Embora a gravidez de adolescentes ainda seja um problema social no Brasil, a queda do número de parturientes antes dos 19 anos mostra que diminui seu impacto no quadro demográfico.

A maior inserção da mulher no mercado de trabalho e seu maior acesso a métodos anticoncepcionais permitem que as brasileiras, como as mulheres dos países desenvolvidos, planejem melhor sua gravidez. A maior quantidade de mães com 30 anos ou mais vive nas Regiões Sudeste (34,6%) e Sul (33,6%), enquanto na Centro-Oeste a proporção encontrada foi de 28,8%; na Nordeste, de 26,1%; e na Região Norte, de 21,2%.

De acordo com a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare Franco Netto, o retardamento da decisão de engravidar pelas brasileiras deve-se à busca de estabilidade maior antes do primeiro parto. "Isso mostra um avanço nas oportunidades de trabalho e também na programação da gravidez e no acesso a métodos anticonceptivos", argumentou a especialista.

Segundo o estudo, a queda do número de nascidos vivos tem correspondido, ao longo dos últimos 14 anos, à redução da taxa de fecundidade, que está freando o ritmo do crescimento da população. Este pode, de acordo com as autoridades da área da saúde, estacionar nas próximas duas décadas e começar, em seguida, a decrescer. Os dados revelam a diminuição de 13,3% do número total de nascidos vivos em 14 anos. E, desde 2005, as taxas de fecundidade no Brasil têm sido inferiores ao nível de reposição da população. Em 2012, a taxa média nacional chegou a seu nível mais baixo, com uma redução de 22,7% em relação a 2000. De todas as regiões, a Norte foi a única que apresentou uma taxa de fecundidade superior à média de reposição, de 2,24. Enquanto o menor índice foi detectado no Sul, região onde a taxa foi de apenas 1,66 filho por mulher.

Ou seja, a população tende a diminuir e já está envelhecendo. Isso gera a necessidade de as autoridades públicas redobrarem sua atenção para o agravamento do déficit previdenciário. Se a perspectiva é de que ele chegue, este ano, a R$ 50 bilhões ou mais, o que dizer do valor a que poderá chegar com a conjugação perversa da diminuição da população economicamente ativa com o crescimento dos idosos inativos? A busca de soluções para este impasse, agravado pela redução do número de contribuintes e o aumento do total de beneficiários, é um dos maiores desafios dos países que já alcançaram um alto patamar de elevada idade média da população. A julgar pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), agora confirmados pela pesquisa Saúde Brasil, estamos nos aproximando desse ponto crucial. Além disso, nossas autoridades da saúde devem realizar mais programas de assistência a uma população que envelhece e vive mais, mercê dos avanços da ciência. Urge se preparar para este novo mundo que deve logo chegar aqui com cada vez menos bebês e muitos idosos com maior expectativa de vida.

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