Menos desmatamento

A notável redução do ritmo de desmatamento dos diferentes biomas brasileiros, constatada por novo levantamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), torna a questão da preservação florestal bem menos preocupante do que era há alguns anos. O exemplo mais destacado da mudança, para melhor, do padrão de ocupação ou de devastação das florestas brasileiras talvez seja o da Mata Atlântica, que, entre 2008 e 2009 - são os dados mais recentes para a área -, teve taxa de abate de sua vegetação nativa praticamente igual a zero.

O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2012 | 03h08

Pode-se argumentar que, sendo a Mata Atlântica o mais desmatado dos biomas brasileiros - estima-se que tenha perdido mais de três quartos de sua cobertura original -, pouco resta dela para ser abatido. Mesmo assim, a situação podia ser pior do que a constatada pelo levantamento do MMA. No levantamento anterior, referente ao período de 2002 a 2008, por exemplo, a taxa de desmatamento tinha sido de 0,25%; agora, foi de apenas 0,02%. Em 6 dos 15 Estados que compõem o território coberto pela Mata Atlântica, não foi registrado nenhum desmatamento maior do que 4 hectares, que é a área mínima captada pelos satélites utilizados no monitoramento das florestas brasileiras.

Levantamentos de organizações não governamentais preocupadas com a preservação da Mata Atlântica também indicam a redução do índice de desmatamento. O atlas divulgado no ano passado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), referente ao período 2008-2010, mostrou que a Mata Atlântica perdeu 31.195 hectares de sua cobertura. Essa área equivale a 196 Parques do Ibirapuera, mas a taxa de desmatamento anual desse período é 55% menor do que a do período coberto pelo atlas anterior, de 2005 a 2008.

A discrepância de dados é atribuída ao fato de que o levantamento do MMA não cobriu a área integral da Mata Atlântica definida em lei específica para esse bioma. A lei inclui, por exemplo, as matas secas de Minas Gerais, Bahia e Piauí, "que têm sofrido fortes ameaças", segundo a diretora da SOS Mata Atlântica Márcia Hirota. Mesmo assim, ela reconhece que o levantamento do MMA traz boas notícias.

São animadores também os dados referentes a dois outros biomas agora monitorados por satélite. O Pantanal perdeu 0,12% de sua vegetação nativa entre 2008 e 2009, bem menos do que perdera entre 2002 e 2008 (2,83%). No Pampa, que já perdeu 54,1% de sua cobertura original, o índice de desmatamento caiu de 1,2% para 0,18%. Por serem as áreas onde o desmatamento atingiu índices preocupantes e vem provocando fortes críticas às autoridades brasileiras no exterior, a Amazônia e o Cerrado estão sendo monitorados com mais intensidade e dispõem de dados mais recentes. Também nessas áreas caiu o ritmo de abate de árvores.

Recordista em desmatamento, o Cerrado perdeu 7.637 quilômetros quadrados de sua área original entre 2008 e 2009; entre 2009 e 2010, a área abatida diminuiu para 6.469 quilômetros quadrados. Na Amazônia, a perda registrada entre agosto de 2010 e julho de 2011, de 6.238 quilômetros quadrados, foi 11% menor do que a observada no período imediatamente anterior.

O governo parece ver com realismo essa evolução. "É uma boa notícia. O ritmo (do desmatamento) é muito menor que o registrado até 2008", disse ao Estado (10/2) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Em seguida, porém, fez a necessária ressalva: "A pressão ainda existe e precisamos aperfeiçoar a metodologia do monitoramento para orientar a fiscalização e a política de recuperação".

De fato, com o apoio de uma legislação ambiental mais eficaz - como o novo Código Florestal, já aprovado pelo Senado, mas ainda dependente de nova votação na Câmara dos Deputados, prevista para o início de março -, a ação governamental deve ser intensificada, por meio de fiscalização mais atenta e rigorosa, pois isso continua sendo essencial para conter a destruição das florestas.

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