Menos dívidas e menos atrasos são bons sinais

Estudo da Confederação Nacional do Comércio revela que o total de endividados caiu de 60,7% em maio de 2017 para 59,1% em maio de 2018

O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 04h00

Embora a economia esteja se recuperando lentamente, os consumidores mostram ter recursos para ajustar as contas e reduzir o nível de endividamento e a inadimplência. É o que mostra a última Pesquisa CNC de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O estudo revela que o total de endividados caiu de 60,7% em maio de 2017 para 59,1% em maio de 2018. Em igual período, as dívidas ou contas em atraso diminuíram de 25,5% para 24,2%. 

Comprometendo menos o orçamento familiar, as famílias ganham melhores condições para retomar o consumo, ainda que para isso tenham de tomar crédito. O que não se pode ignorar é que o endividamento caiu porque as pessoas têm medo de gastar, dadas as incertezas quanto ao futuro, ou seja, quanto à preservação de emprego e renda.

Os muito endividados representam apenas 13,4% da mostra de 18 mil pessoas ouvidas pela CNC, porcentual que foi maior em maio de 2017 (14,3%). Quase uma quarta parte dos entrevistados (23,2%) se declarou pouco endividada e 40,7% não têm dívidas em cheques pré-datados, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro ou seguro. Na comparação entre maio de 2017 e maio de 2018, diminuiu de 10,1% para 9,9% o porcentual dos que não terão condições de pagar as dívidas em atraso. 

A pesquisa separa duas grandes categorias por faixa de renda: os que ganham menos de 10 salários mínimos, dos quais 11,8% não terão condições de pagar as dívidas assumidas; e os que ganham mais de 10 salários mínimos, dos quais apenas 3,3% não conseguirão quitar os compromissos. Na faixa de trabalhadores que percebem até 10 salários mínimos está a maioria de ameaçados pelo desemprego ou pertencentes às classes média e baixa que mais sofreram com a recessão da era petista.

Além da cautela dos consumidores antes de consumir e se endividar, a queda das taxas de juros contribui para reduzir a proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso, segundo os técnicos da CNC. 

Mudanças significativas na tendência de redução do endividamento não deverão ser percebidas no curto prazo, mas só depois que ficarem mais claros o cenário eleitoral e o compromisso dos candidatos com o equilíbrio macroeconômico.

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