Mercado de trabalho dá sinais de melhora

Tudo parece indicar que a população está mais consciente de que o País está a caminho de superar uma difícil fase de transição e iniciar a retomada do crescimento

O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 20h49

Indicadores divulgados há pouco pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) reforçam as perspectivas de um início progressivo de recuperação do ritmo de atividade econômica. O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), que vem crescendo por cinco meses consecutivos, avançou 6,9 pontos em julho, em relação a junho, alcançando 89,1 pontos, o maior nível desde março de 2014. Convém lembrar que, embora a geração de empregos naquele ano tenha sido inferior à dos anos precedentes, ficou próxima de 400 mil novos postos de trabalho com carteira assinada.

“Se a atividade econômica corresponder à expectativa, o emprego vai aumentar”, afirmou o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Ele preveniu, contudo, que os índices de desemprego ainda devem aumentar. A taxa está muito alta e não se sabe quando a geração de empregos no futuro será em quantidade suficiente para fazê-la baixar.

Um elemento a considerar é que, além da grande massa daqueles que perderam o emprego, há um grande número de jovens que buscam ingressar no mercado de trabalho. O que se nota, na realidade, é que, durante o período em que o País apresentava taxas de desemprego baixas, muitos jovens postergavam a entrada no mercado para continuar estudando ou por não ter necessidade premente – era o caso daqueles classificados como “nem-nem”, ou seja, aqueles que não trabalhavam nem estudavam. Com a queda da renda das famílias, aumentou consideravelmente o número de jovens que buscam colocação e, quando não a encontram no mercado formal, partem para a informalidade. Alguns se estabelecem por conta própria por meio de microempresas individuais (MEI).

O IAEmp foi puxado pela indústria, pois teve pouca influência das séries extraídas das sondagens dos serviços e do consumidor. Mas houve melhora também sob esse ângulo, como mostra o Indicador Coincidente do Desemprego (ICD), construído a partir de Sondagem do Consumidor sobre a situação presente do mercado de trabalho. O ICD evoluiu 0,8 ponto, ficando em 96,8 pontos.

Na análise do economista da FGV, “as pessoas pararam de esperar uma piora no mercado de trabalho”. Tudo parece indicar que a população está mais consciente de que o País está a caminho de superar uma difícil fase de transição e iniciar a retomada do crescimento.

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