Mercado menos otimista que Lula

A pesquisa Focus que o Banco Central (BC) divulga sobre as expectativas do mercado (bancos) não pretende captar uma realidade futura, mas apenas saber o que as instituições financeiras - que dispõem de equipes econômicas em geral respeitáveis - estão prevendo. Consultadas mais de 100 instituições, e tomada a média das opiniões, não se pode pensar em acerto pleno: o que interessa é o que pensam e esperam os bancos. Em fevereiro, previam que o aumento do PIB de 2008 seria de 5,62%, e não de 8%, como pensava o governo - foi de 5,1%.O que interessa é a tendência que a pesquisa denota. O último relatório (13 de março) acusa uma profunda mudança de expectativas. A mais significativa diz respeito ao crescimento do PIB em 2009: há quatro semanas era estimado em 1,5%, agora, em 0,59%, o que deveria atrair a atenção do governo, que admite que sua previsão de 4% era exagerada, mas que mantém uma previsão de pelo menos 1,5% e se recusa a admitir que o País possa passar por uma recessão, definida como duas quedas sucessivas do PIB trimestral. Até agora os indicadores conhecidos não permitem afastar essa eventualidade. Para o relatório Focus, essa redução do PIB seria causada principalmente pela queda da produção industrial que deverá ser de 1,59%, enquanto um mês antes a expectativa era de um aumento de 1,5%. Se isso se confirmar de fato, significará maior desemprego e menores compras no comércio.No plano externo, o relatório Focus é menos dramático: a balança comercial é estimada em US$ 13 bilhões, contra US$ 14 bilhões um mês atrás; o déficit das transações correntes baixa de US$ 25 bilhões para US$ 24 bilhões, apesar de uma redução dos Investimentos Estrangeiros Diretos, que são estimados em US$ 22 bilhões.A previsão para o IPCA se reduz a cada semana: era de 4,69% um mês atrás, caiu para 4,52% em 13 de março e para 4,34% para os próximos 12 meses, isto é, abaixo da média que é o objetivo do BC. Pode se atribuir essa queda a uma forte retração da demanda doméstica ou à progressiva redução da Selic que, segundo o mercado, deveria terminar 2009 em 9,75% (a previsão de um mês atrás era 10,5%). É o prognóstico mais importante dessa pesquisa, embora não se deva menosprezar o fato de que o mercado está prevendo que a relação dívida pública/PIB passe de 36,2% para 36,4%, num PIB decrescente, indicando um endividamento maior.

, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

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