Migração para cadernetas cresce pouco

Em junho a captação líquida das cadernetas de poupança bateu o recorde do ano: R$ 2,089 bilhões. No entanto, ainda não houve grande migração dos fundos de renda fixa para elas ? o que levou o governo a adiar as medidas, anunciadas em maio, que pretenderiam reduzir os atrativos das cadernetas para impedir aquela migração, embora, com a Selic em 9,85%, a rentabilidade das cadernetas já seja superior à dos CDBs.Não ter havido grande migração agrada aos bancos, que já alteravam algumas das suas regras para reduzir o impacto da rentabilidade maior das cadernetas.Até o dia 25 de junho (últimos dados disponíveis para uma comparação), enquanto o saldo líquido das cadernetas era de R$ 775 milhões para o ano, os fundos de renda fixa acumulavam R$ 5,5 bilhões. Os dados para as cadernetas, em junho, mostram que houve uma mudança nos últimos dias do mês. Os depósitos cresceram 4,8%, em relação a maio, enquanto as retiradas aumentaram apenas 4,5%.Os investidores, no final do mês, aumentaram em R$ 3,8 bilhões seus depósitos, quantia que deve ter vindo por transferência.O que explica a demora na reação dos investidores? A mudança anunciada para as cadernetas é complexa, mas, certamente, os grandes investidores, sabendo que no futuro as cadernetas teriam isenção do Imposto de Renda somente até o valor de R$ 50 mil, não ficaram preocupados com a mudança.Os bancos, que não estão interessados em captar depósitos por meio de cadernetas, procuraram reduzir suas taxas de administração dos fundos e instruíram seus gerentes ? que têm papel importante como conselheiros dos investidores ? a mostrar as vantagens de outras aplicações. Um banco que capta R$ 100 para cadernetas deve aplicar R$ 65 em financiamentos imobiliários, cujo rendimento é pequeno e representa um risco elevado por ser de prazo longo. Além disso, deve depositar R$ 20 no Banco Central, tem R$ 10 contingenciados e dispõe livremente de R$ 5, quantia insignificante diante da responsabilidade do banco perante um depósito totalmente líquido.Finalmente, a caderneta é considerada investimento de pessoas de baixa renda, o que explica a resistência dos investidores em sair do CDB.No entanto se, como prevê o mercado, já no final de julho a Selic baixar para 8,75%, a atratividade das cadernetas será ainda maior e obrigará o governo a limitar ainda mais as vantagens dessas aplicações.

, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

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