Minha Casa impulsiona venda de imóveis

Será preciso esperar mais, portanto, para que se possa falar em retomada do mercado imobiliário como um todo, pois os incorporadores enfrentam dificuldades na comercialização de moradias de médio e alto padrão

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 03h17

A recuperação das vendas de imóveis – em alta de 1,3% entre os primeiros cinco meses de 2016 e de 2017, segundo os Indicadores Abrainc/Fipe de julho – se deve à demanda de habitações populares do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Será preciso esperar mais, portanto, para que se possa falar em retomada do mercado imobiliário como um todo, pois os incorporadores enfrentam dificuldades na comercialização de moradias de médio e alto padrão.

O levantamento resulta de informações dos sócios da Abrainc, formada por 20 incorporadoras, entre elas as maiores do País. Retrata, por isso, tanto o comportamento das vendas de companhias especializadas no segmento popular como de empresas voltadas para o atendimento das faixas de renda mais elevada.

Entre janeiro e maio, 39.970 imóveis foram vendidos no lançamento. Mas, enquanto o número comercializado de moradias populares subiu 24,4% em relação a 2016, o das vendas de habitações de médio e alto padrão caiu 48,2%. Os números mostram a importância dos incentivos e subsídios creditícios presentes na área popular, que reduzem o valor das prestações a níveis mais suportáveis pelos rendimentos dos mutuários. Os interessados em imóveis de maior valor parecem hesitar na tomada de crédito, mesmo na modalidade de crédito direcionado, em que o custo é inferior ao da média de mercado.

Pesquisa do Broadcast da Agência Estado confirma a tendência. A partir de relatórios de oito empresas listadas em Bolsa (Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, Rodobens, MRV, Direcional e Tenda), constatou-se que os lançamentos de R$ 5,14 bilhões no primeiro semestre superaram em 10% os de igual período de 2016. As vendas líquidas, de R$ 5,19 bilhões, cresceram 16%.

O volume de distratos pressiona o mercado – 41 mil foram registrados nos últimos 12 meses, segundo a Abrainc. Há mais que o dobro de distratos no segmento de médio e alto padrão comparativamente ao MCMV. Tarda uma solução legal justa para incorporadores e mutuários. A queda dos lançamentos de imóveis de médio e alto padrão, de 25,4% nos últimos 12 meses até maio, comparativamente aos 12 meses anteriores, poderá provocar desequilíbrio na oferta e demanda, pressionando preços e dificultando o acesso à habitação, em especial nas metrópoles.

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