Montadoras aumentam sua aposta no Brasil

Segundo o Banco Central as filiais brasileiras de montadoras estrangeiras receberam investimentos diretos de US$ 6,5 bilhões de suas matrizes em 2016

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2017 | 03h00

Apesar da crise, que reduziu em 20,2% as vendas de veículos em 2016 em comparação com o ano anterior, a indústria automotiva instalada no País continua acreditando no potencial do mercado interno e na possibilidade de aumentar as exportações a partir do Brasil. Essa é a interpretação que fazem os analistas dos dados recentes do Banco Central (BC) revelando que as filiais brasileiras de montadoras estrangeiras receberam investimentos diretos de US$ 6,5 bilhões de suas matrizes em 2016. A esse total se somam outros US$ 5,3 bilhões que ingressaram sob a forma de empréstimos intercompanhias, elevando o total do socorro financeiro de fora para US$ 11,8 bilhões.

A maior parte dos investimentos diretos no setor não foi utilizada para capitalização, segundo Antonio Magale, presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mas para desenvolvimento e produção de novos modelos e até para a implantação de novas fábricas. Quanto aos empréstimos tomados com as matrizes, essa foi uma alternativa para evitar o pesado custo dos empréstimos no País. Nota-se, a propósito, que empresas estrangeiras de outras áreas também assim agiram, tendo o total de créditos de matrizes no exterior para filiais no País atingido US$ 22,12 bilhões em 2016, de acordo com o BC. 

O volume da ajuda financeira das matrizes contrasta com o valor pífio das remessas de lucros pelo setor automotivo do País, que não passou de US$ 86 milhões em 2016, presumivelmente para pagamento de royalties.

Esse resultado está longe de remunerar o capital investido, mas convém lembrar que, quando as matrizes das montadoras passaram por severa crise nos seus países de origem, as remessas de lucros pelas filiais no Brasil foram de bilhões de dólares por anos a fio, atingindo os picos de US$ 5,614 bilhões em 2008 e US$ 5,581 bilhões em 2011.

As empresas do setor estão habituadas a ciclos e não há indicação de que estejam inclinadas a deixar o Brasil, que já foi o quarto mercado mundial para a indústria.

As projeções da Anfavea são de um crescimento de 11,9% na produção em 2017, podendo atingir a marca de 2,41 milhões de veículos, com certa recuperação do mercado interno e um crescimento de 7,2% das exportações, que podem atingir a quantidade recorde de 552 mil unidades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.