Muda a política dos bancos para cartões de crédito

Entre janeiro e abril, dois entre os cinco maiores bancos do País retiraram de circulação 1,2 milhão de cartões de crédito, para reduzir os riscos originários do envio desses cartões a clientes sem capacidade de honrar o pagamento das despesas assumidas, muitos dos quais se tornaram inadimplentes

O Estado de S.Paulo

23 Junho 2017 | 05h13

Entre janeiro e abril, dois entre os cinco maiores bancos do País retiraram de circulação 1,2 milhão de cartões de crédito, para reduzir os riscos originários do envio desses cartões a clientes sem capacidade de honrar o pagamento das despesas assumidas, muitos dos quais se tornaram inadimplentes. Com base em informações das instituições, o Estado mostrou que entre os primeiros quadrimestres de 2016 e 2017 a base de cartões do Banco do Brasil caiu de 22,2 milhões para 17,2 milhões e a do Itaú, de 32,1 milhões para 28,9 milhões.

Era mais que hora de os bancos mudarem a política para cartões de crédito – instrumentos que exigem uso consciente do consumidor e responsabilidade do banco na concessão –, e esta faltou a muitas instituições. Havia mais de 165 milhões de cartões de crédito emitidos até 2015, segundo dados recentes. Cartões de crédito têm enorme serventia para as pessoas, mas pressupõem capacidade das famílias de ter orçamento doméstico e de compatibilizar as receitas e as despesas no dia a dia.

O Brasil vive um caso clássico de falta de educação financeira, em que os bancos mandam esses instrumentos de pagamento para pessoas sem renda nem disciplina financeira para usá-los adequadamente.

Muitos titulares de cartões de crédito põem em risco a situação financeira familiar e passam a engordar as listas de inadimplentes da Serasa ou do SCPC da Boa Vista. O resultado é um alto nível de inadimplência, de 15,6% em abril, sem contar as renegociações de dívida, nas operações de crédito rotativo, cujo custo médio foi 296% ao ano em abril, segundo o Banco Central (BC). Esse porcentual já foi maior antes de o BC mudar, em abril, as regras do rotativo, obrigando os bancos a trocar essa dívida onerosa por empréstimos pessoais menos custosos.

A reclamação de clientes de que os cartões de crédito são cortados sem aviso prévio deve ser apurada com rigor pelas autoridades, pois as relações entre administradoras de cartões e usuários são, às vezes, difíceis, haja vista o número de reclamações ao Procon. O despreparo de atendentes de administradoras chega a ser chocante. Sob alegações diversas – como a da insegurança na identificação de usuários, ainda que estes forneçam dados pessoais não disponíveis a terceiros –, dificulta-se o uso do cartão, prejudicando os clientes e a receita das administradoras.

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Editorial Econômico Brasil

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