Mudanças na estratégia de crédito

A pressão exercida sobre os bancos para que reduzam seu spread poderá levá-los a rever suas políticas de crédito, eliminando empréstimos a pessoas físicas que representem risco mais elevado. À medida que o spread se reduza sensivelmente, poderá haver uma queda das taxas de juros, compensando em parte a menor oferta de crédito.Em entrevista que deu a este jornal no domingo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrava que, na composição do spread dos bancos, a inadimplência entra com 36% - a mais alta participação - e o custo administrativo, com apenas 24%. Se quer reduzir a taxa de juros, é preciso reduzir o spread. Mas uma provisão tão elevada não encontra justificativa na inadimplência efetivamente verificada. E convém lembrar, ainda, que os bancos são os primeiros responsáveis por ela, seja porque as taxas tão altas exigidas levam à inadimplência, seja porque eles não avaliam corretamente o risco que lhes advém dos créditos outorgados.Conscientes de que terão de baixar o spread, que as entidades de classe e os sindicatos denunciam, sem falar do governo, as instituições financeiras - que não querem reduzir a margem de lucros - cogitam de rever a política creditícia para reduzir seus riscos.O governo, ao criar os empréstimos garantidos pelos salários ou pela renda dos aposentados (créditos consignados) - que se acrescentaram ao regime de alienação fiduciária, que permite aos bancos recuperar o bem financiado em caso de inadimplência -, ofereceu às instituições financeiras garantias importantes de redução dos riscos e, assim, da taxa de juros. São essas as operações que os bancos pretendem desenvolver.No caso do crédito consignado, darão prioridade às operações com funcionários públicos e aposentados, considerando mais arriscados os empréstimos a empregados do setor privado. Os financiamentos imobiliários ou para aquisições de bens (especialmente veículos) poderão ser ampliados. Em compensação, as operações com cheques especiais, cartão de crédito e de crédito pessoal (exceto os consignados) serão feitas com grande cuidado.Assim, quase 80% das concessões de crédito acumuladas durante um mês para pessoas físicas estarão sob grande controle. Isso deveria não somente reduzir a inadimplência e as taxas de juros, como favorecer o crédito às pessoas jurídicas e obrigar as famílias a melhor controlar seus gastos.

, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

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