Na construção, o pior passou, mas confiança é baixa

Segundo sondagem da CNI, nível de atividade cresceu entre maio e junho, mas ainda permanece no campo negativo

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 04h00

As duas principais pesquisas sobre a indústria da construção, sob a responsabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostraram que o setor superou, em junho, o momento mais agudo da crise e começa a recuperar a confiança. Mas os números ainda são pouco expressivos, pois dependem da retomada da economia, que ainda é muito lenta, afetando expressivamente tanto a construção de imóveis residenciais como as obras públicas.

Segundo a Sondagem Indústria da Construção da CNI, o nível de atividade cresceu entre maio e junho, passando de 44,4 pontos para 46,7 pontos, mas continua abaixo da linha de 50 pontos que separa os campos positivo e negativo. 

Houve apenas uma recuperação para níveis próximos aos de abril. Maio foi bastante afetado pela greve dos transportadores, que dificultou a logística de entrega de materiais necessários para o desenvolvimento das obras, além de provocar aumento de custo ou falta de matéria-prima.

As condições financeiras são vistas como insatisfatórias para as empresas do setor. Os lucros caíram e a falta de capital de giro é tratada como um dos principais problemas das construtoras, menos importante apenas que o da carga tributária e da demanda insuficiente.

A Sondagem da Construção da FGV mostrou melhora entre junho e julho, indicando que a queda da confiança decorrente da greve “foi exagerada”, segundo a coordenadora de projetos da FGV Ibre, Ana Maria Castelo. Mas a atividade do setor “segue avançando muito devagar, corroborando o sentimento mais pessimista dos empresários”, acrescentou Ana.

Os indicadores de situação atual são inferiores aos de expectativas, mas nesses dois casos os números estão no campo negativo, inferiores a 100 pontos. O Índice da Situação Atual acusou 71,4 pontos em julho e o Índice de Expectativas registrou 91 pontos. Houve modesta evolução do otimismo para os próximos meses.

A atividade da construção civil tem grande peso na taxa de investimento. E esta depende tanto de decisões de curto prazo como das expectativas dos investidores. O ambiente de incerteza política é fator crítico para a construção, que opera a longo prazo e é severamente punida nos casos de avaliações erradas. Isso é muito evidente na área residencial, que ainda registra elevados estoques sem compradores.

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