Na transição, Tesouro reduz as emissões

Em meio a incertezas políticas, os administradores da dívida pública têm agido com prudência

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 04h00

O Tesouro Nacional trabalha para evitar qualquer marola no mercado da dívida pública neste final de ano. Para isso, segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, o Tesouro reduzirá o ritmo de emissões em 2018, deixando de rolar totalmente os vencimentos. O desvio não deverá ser muito significativo, disse Vital, explicando: “O colchão de liquidez do Tesouro permite que se desacelere a emissão de papéis em momento de maior volatilidade, voltando ao ritmo normal em períodos de calmaria”.

Em agosto, os fatos mais relevantes relativos à gestão da dívida foram o aumento do custo dos títulos em dólar e a diminuição da participação dos investidores estrangeiros entre os principais detentores dos papéis. O custo médio da dívida mobiliária externa passou de 25% ao ano, em julho, para 35,7%, em agosto. A variação foi tão grande que, embora a dívida externa represente apenas 4,3% do total de R$ 3,8 trilhões, empurrou de 10,49% ao ano, em julho, para 10,76% ao ano, em agosto, o custo médio acumulado da dívida em 12 meses. Já na dívida interna o custo médio caiu de 9,97% para 9,88% ao ano nas mesmas datas.

Os investidores estrangeiros parecem adiar a decisão de compra de títulos brasileiros até que se defina o sucessor do presidente Michel Temer. Entre julho e agosto, caiu de 12,6% para 11,9% o peso dos não residentes, que resgataram R$ 20,6 bilhões líquidos. Como a dívida cresceu 0,98% no período, participações maiores foram tomadas por instituições de previdência, instituições financeiras e fundos de investimento.

Um indicador positivo foi a elevação da presença dos investidores individuais no Tesouro Direto. O número desses investidores cresceu 129,2 mil em agosto e atingiu 2,53 milhões, aumento de 57,7% em relação a igual mês de 2017.

Também se destacou a diminuição – de 19,9% em julho para 18,3% em agosto – do porcentual de vencimento em prazo inferior a um ano. Essa participação é muito próxima da meta do Programa Anual de Financiamento (PAF), de limitar os vencimentos a 18% do total.

Numa fase de incertezas políticas, os administradores da dívida pública têm agido com prudência. É o melhor a fazer tendo em vista que o Tesouro dispõe de recursos suficientes para recusar ofertas de investidores de compra de títulos a preços baixos.

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