Não seria exagerado o nível das reservas cambiais?

O Banco Central (BC) divulgou o volume 2 do Relatório de Gestão das Reservas Internacionais do exercício de 2009. A vontade do BC é de mostrar uma grande transparência na administração dessas reservas, que em 31 de dezembro de 2009 eram de US$ 239,05 bilhões, com aumento de 15,6%, e que em 12 de agosto de 2010 subiram para US$ 259,793 bilhões, mostrando que o BC continua na política de aumento de suas reservas, formando um hedge para todo o passivo externo, de US$ 225 bilhões em junho deste ano.

, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

Nota-se que o BC visou a cobrir a dívida soberana, mas, diante da crise mundial, procurou estender essa cobertura ao total da dívida externa do País, assumindo uma tática excessivamente ortodoxa, mas, em contrapartida, muito custosa.

Assim, o BC compra no mercado cambial essas divisas, procurando, embora nem sempre, adquirir o excesso de oferta e recusando-se a admitir que essa intervenção no mercado visa também a impedir uma desvalorização excessiva do real ante o dólar. Para fazer essas compras, com a justa preocupação de não elevar a base monetária do País, o BC emite títulos da dívida interna, que retira o excesso de liquidez, pagando o equivalente à taxa Selic, hoje de 10,75% ao ano.

A administração das reservas deve levar em consideração a segurança das aplicações, a sua liquidez e, finalmente, seu rendimento, partindo do princípio de que elas não podem correr um risco de insolvência e que precisam ser, a qualquer momento, colocadas no mercado internacional. A preocupação com a rentabilidade vem por último.

De 2002 a 2009 a rentabilidade média anual ficou em 5,6%, o que pode ser considerado um bom resultado. No entanto, em 2009 essa rentabilidade caiu para 0,53%, o pior resultado depois de 2005, quando na realidade ficou negativa em 3,58%. Isso nos leva a questionar o aumento das reservas, reconhecendo porém que as autoridades monetárias foram muito prudentes neste período de crise, tanto em relação à escolha da moeda de reserva quanto ao prazo das aplicações, que caiu de 3,04 anos, em 2008, para 1,65 ano, em 2009.

O BC procurou mudar a composição das suas reservas. Entre 2008 e 2009 a parcela em dólares passou de 89,1% para 81,9%; em euros, caiu de 9,4% para 7%; enquanto em outras moedas aumentou de 1,5% para 11,1%. Sabe-se que é muito difícil fugir do dólar, moeda que oferece a maior liquidez internacional. A questão é saber se temos de ter um hedge para toda a dívida externa.

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