Nem intensidade da crise sustenta o saldo comercial

São decepcionantes os dados do comércio exterior brasileiro, pois estão em queda as exportações (US$ 13,7 bilhões em outubro e US$ 153 bilhões nos primeiros 10 meses do ano) e as importações (US$ 11,3 bilhões e US$ 114,5 bilhões nos mesmos períodos)

O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2016 | 05h01

São decepcionantes os dados do comércio exterior brasileiro, pois estão em queda as exportações (US$ 13,7 bilhões em outubro e US$ 153 bilhões nos primeiros 10 meses do ano) e as importações (US$ 11,3 bilhões e US$ 114,5 bilhões nos mesmos períodos). A média diária de vendas foi de US$ 686 milhões em outubro, inferior à dos demais meses de 2016, salvo janeiro.

A melhor maneira de avaliar o comércio exterior é observar o comportamento da corrente de comércio, ou seja, da soma de exportações e importações, que permite medir o grau de abertura da economia. A importação, por exemplo, tem impacto positivo sobre as empresas locais, obrigadas a produzir melhor a preço menor.

A corrente de comércio caiu 9,7% entre setembro e outubro; 13,8% entre 2015 e 2016; e 15,1% nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores. Por este critério, caiu de US$ 377,2 bilhões para US$ 321,4 bilhões – havia sido de US$ 482 bilhões em 2011. A economia brasileira já estava entre as mais fechadas do mundo antes da piora recente do comércio global.

Um dado favorável, mas menos relevante do que a queda da participação do Brasil no comércio global, é o superávit comercial de US$ 2,3 bilhões em outubro, de US$ 38,5 bilhões em 2016 e de US$ 45,9 bilhões nos últimos 12 meses. E mesmo esse superávit perde vigor. Resultado da diferença entre exportações e importações, ele teve queda ininterrupta desde julho. Em outubro, caiu 36,5% em relação aos US$ 6,4 bilhões de maio. Se o superávit se repetir neste bimestre, o saldo cairá para US$ 43 bilhões – um recorde, mas no limite inferior das expectativas recentes dos agentes econômicos.

Entre janeiro e outubro de 2015 e de 2016, as exportações de produtos básicos caíram 10% e as de manufaturados, 1,6%. Só cresceram as vendas de semimanufaturados (+3,5%), mas estas dependem de itens pouco elaborados, como açúcar em bruto, ouro e madeira.

A queda mais forte das importações decorre da recessão. O fortalecimento do comércio exterior deve ser prioritário. O setor depende não só de abertura comercial, mas do corte de custos fiscais e de logística.

Mais conteúdo sobre:
Editorial EconômicoBrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.