Nítida aceleração das compras domésticas

O varejo apresentou nos dois primeiros meses do ano crescimento de 11,3% e de 6,9% em 12 meses. São dados que refletem bem a aceleração da demanda doméstica nos últimos meses, mostrando o efeito acumulado de uma política que visa a aumentar o poder aquisitivo da população em geral e a elevar a participação da classe C.

, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2010 | 00h00

Na margem, na série com ajuste sazonal, ao crescimento de 3% da demanda em janeiro soma-se ao de 1,6% de fevereiro. É interessante notar que o faturamento nominal do varejo apresentou um aumento de 2,2%, variação que capta a elevação dos preços.

Incluído o comércio varejista ampliado (veículos e material de construção), verifica-se que, dos dez setores que fazem parte do levantamento, apenas dois apresentam redução: o de equipamentos para escritório, informática e comunicação (-0,6%) e o de livros e papelaria (-2,2%), o que se explica, de um lado, por uma saturação episódica, levando em conta as vendas dos meses anteriores e, de outro, pelo fim das compras de material escolar.

O que mais impressiona é o crescimento das vendas nos supermercados e produtos alimentícios (3%) e o das vendas de lojas de tecidos e vestuário em geral. São compras realizadas por pessoas que pertencem à classe C em razão dos seus rendimentos. Quando se trata de supermercados, um forte aumento das vendas decorre das disponibilidades financeiras das classes de rendimentos modestos, pois as classes mais abastadas normalmente não economizam no gastos de alimentação.

O crescimento das vendas dos artigos farmacêuticos pode indicar uma piora da saúde da população, mas a melhora de renda pesa muito nas compras do setor. As compras de móveis e eletrodomésticos estão vinculadas ao acesso à nova habitação.

Uma questão que merece ser estudada, embora de difícil resposta: será que a população adiantou suas compras com medo de um aumento de preços? O salto das compras nos supermercados poderia sugerir que sim, embora se trate de produtos de consumo imediato. Para outros setores, como móveis, a perspectiva de ajustes de preços deve ter tido um efeito sobre as vendas, pois a publicação dos índices de preços exerce uma pressão sobre o momento de comprar, no caso de produtos de custo maior. No caso do setor de informática com componentes importados, a perspectiva de uma elevação de preços é menor, enquanto as compras ficaram muito elevadas nos meses anteriores.

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