Nível atual da Selic é para se manter

A Ata da 144ª Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) esclarece melhor do que o comunicado do dia 22 de julho, quando a taxa Selic foi reduzida para 8,75%, que esta deverá assim permanecer por um bom tempo. Mas também fornece informações novas, tanto sobre a unanimidade da decisão quanto sobre as perspectivas econômicas na visão do Copom.É interessante verificar que os membros do Copom consideraram que, em relação à reunião anterior, a projeção de inflação tanto para 2009 quanto para 2010 se elevou, devendo ficar, porém "ao redor da meta". Isso certamente indica que, apesar da unanimidade na decisão final, alguns membros do Comitê "entenderam que haveria respaldo para a possibilidade de manter inalterada a taxa básica de juros". Se aceitaram, por fim, a redução, foi pela certeza de que a fase prolongada de quedas sucessivas da Selic terá seu efeito pleno no final de 2009 e no início de 2010.Porém a ata deixa bem claro que a nova taxa marca a etapa final da flexibilização da política monetária e que "uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro".Na sua análise das perspectivas da economia, o Copom destacou o fato de que os índices de confiança, tanto no comércio quanto na indústria, acusaram nítida melhora. Os consumidores parecem contar com o efeito positivo das transferências governamentais, do crescimento da massa salarial, da recuperação das condições de acesso ao crédito e da redução da inflação. A indústria, com uma capacidade de produção ociosa, poderá responder, sem perigo de inflação, a esse aumento da demanda.Mais uma vez, verifica-se que as autoridades monetárias se recusam a tocar no assunto das contas públicas, limitando-se a colocar como hipótese de trabalho o cumprimento da meta de superávit primário de 2,5% do PIB, em 2009, e de 3,3%, em 2010.É justamente a séria dúvida acerca do cumprimento dessas metas que justifica uma certa preocupação, levada em conta pelo mercado futuro de juros, que mostra uma curva ascendente (criticada pelo presidente do Banco Central) e que, em resposta à divulgação da ata, reagiu com nova alta.A pressão do déficit público crescente, exigindo aumento da dívida mobiliária, poderá se traduzir por exigências de maiores rendimentos pelos investidores, que poderão se traduzir por nova alta de juros...

, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

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