No rumo de maior queda dos juros

A Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) esclareceu o mais importante - as perspectivas de novas reduções nos juros básicos -, ao afirmar que "a política monetária pode ser flexibilizada". Era o que os agentes econômicos queriam ler. E isso se baseia na convicção de que a inflação continuará a cair, como tanto eles quanto o BC projetam - até um nível inferior ao do centro da meta, de 4,5%. Segundo a Ata, para uma taxa de câmbio de R$ 2,20 e da Selic em 11,25% (porcentual válido até 29/4), a projeção para a inflação caiu em relação a março e está "sensivelmente abaixo do valor central".Desde o final de abril, a taxa básica de juros é de 10,25% ao ano, levando analistas do setor privado a acreditar que ela vai cair para um dígito na próxima reunião do Copom, em 9 de junho. Por isso o texto sugere que o mercado de juros futuros está operando em níveis altos. Como notou o ex-diretor do BC Alexandre Schwartzman, os membros do Copom indicaram que não concordam "com o que está precificado na curva de juros".Tão firme é a convicção dos diretores do BC sobre a queda da inflação e, em consequência, dos juros básicos, que o Copom enfatizou seu alerta sobre o problema da remuneração das cadernetas de poupança. É preciso, diz a Ata, evitar "mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado". A frase foi reafirmada ao longo do texto: "O Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço do sistema financeiro nacional."O ponto mais baixo da atividade econômica, segundo o diretor do BC Mário Mesquita, foi em dezembro e há sinais de melhora. Ainda assim, a nota assinala que houve redução dos riscos de pressão inflacionária, explicada, por exemplo, pela deflação de preços no atacado.Mas, se o Copom avalia que não há ameaças sérias para as metas de inflação, podia dispensar a reafirmação de firmeza nas suas decisões, com o alerta de que "a política monetária deve manter postura cautelosa".O tom geral da Ata sugere a convicção de que os juros têm muito espaço para cair. Isso explica a preocupação com as cadernetas de poupança, cuja remuneração líquida, de 0,54% ao mês, já é considerada alta pelo BC, pelos bancos e pelo presidente Lula.

, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

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