Nova invasão da USP

Num curto período de tempo, a Cidade Universitária - principal câmpus da Universidade de São Paulo, a maior instituição de ensino superior do País - viveu três importantes eventos políticos. Dois foram programados pela alienação ideológica e o outro foi a resposta do bom senso aos dois primeiros.

O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2011 | 03h06

O primeiro evento foi o endosso da Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) à ocupação de seu prédio administrativo, ocorrida na última quinta-feira, por estudantes e funcionários vinculados a micropartidos de esquerda. A invasão foi realizada como protesto contra a presença da Polícia Militar (PM) no câmpus, que foi autorizada por um convênio firmado pela corporação e pelo Comitê Gestor da USP em maio, após o primeiro caso de latrocínio no local, tendo como vítima um estudante de economia, com o objetivo de aumentar a segurança no local. O convênio tem o prazo de cinco anos. Até então, o policiamento da Cidade Universitária era feito pela Guarda Universitária, que não pode portar armas e conta com 130 agentes de segurança patrimonial, para proteger dezenas de prédios - além das cerca de 100 mil pessoas que circulam diariamente pelo câmpus.

A invasão do prédio administrativo da FFLCH ocorreu depois que três alunos foram presos em flagrante fumando maconha no estacionamento do prédio de História e de Geografia. As minorias radicais da USP classificaram a prisão como "opressão policial", acusaram a PM de ser o "braço armado de exploradores" e investiram contra os policiais, depredando seis viaturas e ferindo três soldados. Numa demonstração de insensatez e irrealismo, a Congregação da FFLCH relegou o vandalismo dos invasores e pediu a revisão do convênio com a PM.

Os dois outros eventos foram as assembleias promovidas na terça-feira - uma para discutir a continuidade da invasão do prédio administrativo da FFLCH e outra para pedir a manutenção do convênio com a PM. Na primeira assembleia, realizada no vão livre do prédio de História e de Geografia, as minorias radicais perderam o controle das discussões e foram derrotadas, numa votação em que 559 estudantes se pronunciaram pela desocupação e 458 pela permanência.

Em mais uma manifestação de desapreço pela democracia, a minoria derrotada promoveu nova invasão após o fim da assembleia. Encapuzados, para não serem identificados e punidos com sanções administrativas e legais, um grupo de cem estudantes arrombou o prédio da Reitoria e passou a fazer exigências absurdas, tais como o fim do vestibular, a efetivação de funcionários terceirizados, a extinção de processos administrativos e criminais contra estudantes, professores e servidores e a reincorporação aos quadros da USP de funcionários demitidos por justa causa - além da revogação do convênio com a PM.

Realizada na Praça do Relógio, a outra assembleia exigiu a continuidade do policiamento da PM na Cidade Universitária. Esta manifestação foi liderada por estudantes da Escola Politécnica e da Faculdade de Economia e Administração, mas teve a participação de muitos alunos da FFLCH. Alegando que a ditadura militar acabou há muito tempo e que identificar a PM com as "forças da repressão" é erro histórico, eles criticaram as depredações de prédios da USP e classificaram a ocupação da Reitoria como "fetiche da ultra esquerda". Além disso, pediram ao Conselho Universitário um plebiscito sobre a presença de policiais militares no câmpus.

Para qualquer pessoa de boa fé, não é difícil ver quem tem razão nesse embate. Quando o convênio entre o Comitê Gestor da USP e a PM foi firmado, a Cidade Universitária vinha batendo recordes em número de furtos de automóveis, assaltos a mão armada, sequestros relâmpagos e estupros. Quatro meses depois de policiamento efetivo, os furtos de veículos caíram 92,3%. Os sequestros relâmpagos diminuíram 87,5%. Os roubos diminuíram em 66,7% e os crimes de lesão corporal em 77,8%. Os números falam por si. O resto é demonstração de irresponsabilidade e alienação ideológica.

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